28 agosto 2014

Talma&Gadelha já com nova formação em show no Pepper's Hall no 1º semestre de 2014. Foto de Silvia Correia.

Desde a segunda semana de agosto, o Talma&Gadelha começou a lançar no seu canal no Youtube versões cruas de suas novas composições através de clipes caseiros dos mais criativos. Depois de Meu Croissant, agora conhecemos Io Iô, música das mais deliciosas do grupo. A ideia é dividir com o público todo o processo de composição de seu terceiro disco. “Queremos compartilhar com vocês toda essa trajetória, desde quando a música nasce e como ela nasce, passando pelo processo de criar os arranjos até que o disco fique prontinho. Estamos felizes e empolgados com a possibilidade de trazer novas letras, novos sons e um novo show”, informou a banda na sua fanpage. Ainda sem nome, o terceiro álbum do grupo deve sair ainda neste ano pelo Projeto Incubadora do DoSol.

23 agosto 2014



Da indietrônica tropical do último disco de Luiz Gadelha ao funk psicodélico da Esquizophanque, vem se formando um universo à parte à cena de guitarras roqueiras predominante na música alternativa potiguar. Talvez pelo perfil despretensioso (comercialmente) da maioria dos projetos, divulgação tímida e até pela dificuldade técnica de levar seu trabalho aos palcos, ótimos trabalhos têm ficado, quando muito, limitados aos amigos de Facebook de seus integrantes, o que é uma pena – são justamente trabalhos como esses que tem dado graça aos lançamentos do ano na cena potiguar, não só pela heresia de abandonar a guitarra ou usá-la de outra forma, mas por acabar, talvez até não intencionalmente, oxigenando a cena com outras ideias e outras referências para além do café-com-leite do pós-rock/grunge/sludge/stoner/hardcore/thrash/crossover de cada dia. 

Na lista dos melhores lançamentos do ano, meus hereges favoritos, atualmente, respondem por Orchestre Noire, banda que apresentamos aqui há pouco mais de um ano, na 13ª edição da coletânea Cena Independente. De lá para cá, pouco a pouco, as ideias fora da curva do trio foram tomando outra dimensão, agora também empenhados em combater a ideia de que música boa (não desgastada) se escuta em casa, promovendo umas festas bem bacanas e levando seu som para mais pessoas, junto da turma do Coletivo de Música Experimental de Natal.

Grokar, o primeiro EP, apareceu em maio com referências de dark-jazz, trip hop e uma porrada de coisas que é improvável que você já tenha escutado na vida. Seja você de Natal, São Paulo, Berlim, onde for. Mas sinta-se você atraído por referências musicais mais obscuras ou não, uma coisa é certa: se você é fã de David Lynch, Twin Peaks e ficou intrigado com a trilha sonora criada por Angelo Badalamenti, está aqui uma banda que você precisa conhecer. Uma das coisas mais bacanas da Orchestre Noire está justamente no conceito por trás das músicas, nas referências que ela traz de outras formas artísticas e de fora da arte. Ainda assim, foi pela música e sua posição vanguardista na cena potiguar que convidamos a banda para falar um pouco sobre seu trabalho. Acabamos sendo surpreendidos por um ótimo papo sobre a série, sobre psicanálise, sobre o significado do termo que dá nome ao EP – coisa que você, como bom fã de ficção científica, vai ficar satisfeito de chegar no Stranger in a Strange Land do escritor americano Robert A. Heinlein. Começando pela origem e proposta da banda, a Orchestre Noire comenta e destrincha faixa por faixa de Grokar.

Para quem gosta de: 
Arms and Sleepers, Hidden Orchestra, The Kilimanjaro Darkjazz Ensemble

dark jazz, trip-hop, ambient


0:13 A Banda / 1:42 Influências / 3:19 Alternativo do Alternativo? / 4:35 A Produção / 5:51 O Conceito / 7:03 A Capa / 8:05 Grokar / 10:26 Barn Observer / 12:40 Eros / 16:34 Devil’s Haze / 18:55 Planos Futuros


07 agosto 2014

Emmily Barreto no show de lançamento de modeHuman. Foto: HV Photos 
Enquanto o FUGA esteve fora do ar, publicamos no nosso canal no Youtube uma entrevista bem bacana que fizemos com a Far From Alaska no show de lançamento de modeHuman no Pepper’s Hall, aqui em Natal. Conversamos sobre nossas impressões sobre o disco, as diferenças entre o material novo e o antigo, o processo de composição das músicas e a aquela ladainha de sempre sobre a banda ter nível “gringo” e toda a pressão e estranhamento INCOMPREENSÍVEIS que o público médio – talvez você – costuma ter contra a proposta da banda de compor em inglês, não em português.

01 agosto 2014


E cá estou eu tentando entender como uma banda tão pequena, em número de integrantes, consegue ser tão grande. Kung Fu Johnny, hoje, na minha leiga e humilde opinião musical, é uma das bandas mais completas que compõe o cenário do Estado. As composições, a melodia, o som, tudo, prazerosamente, tudo faz sentido em suas canções. Depois de um tempo em hiato os caras voltaram, como dizem por ai, “dando com os dois pés na porta”.

Say I Want é o novo single da banda, que foi lançado hoje, e fará parte do próximo full album, que tem previsão de lançamento até o final do ano. O Estúdio Cantinela foi o útero da música, onde foi gravada, mixada e masterizada e nós, nós somos os tios babões, encantados com a nova coisa linda e perfeitinha, que não vemos a hora de ver crescer, crescer e crescer para assim ganhar o mundo.


O romance natalense com a música autoral durou pouco. Não que isso não seja rotina em todo lugar, mas o otimismo alimentado pela quantidade e qualidade das bandas que foram surgindo (e morrendo) desde a metade da década passada não parecia admitir retrocesso. Bobagem. Espaços abrem, espaços fecham e alguém sempre dá um jeito de manter a cena viva. Agora, empurrada exclusivamente para espaços menores, o mercado de covers (congelado tediosamente nos anos 90) deixou quintas e domingos de herança para a música que não paga as contas. Aos poucos, o velho ciclo de renovação de casas e bandas vem, preguiçosamente, tomando forma e agora quem puxa a responsabilidade para si de movimentar culturalmente a cidade é a turma da comunidade de Música Experimental Natal/RN do Facebook. Foi criado um coletivo para tornar mais frequentes pequenos festivais como o Under The Sun, evento anual que começou como confraternização de fim de ano do grupo e veio crescendo nos últimos anos, entrando no calendário cultural da cidade. A ideia é nobre: pagar as contas e empregar o dinheiro que sobrar no próximo evento. A primeira empreitada do coletivo é essa, o Sensorium. Além de dar espaço a bandas novas e ainda esquecidas pelos produtores locais, o evento promete uma discotecagem audiovisual com o melhor da música torta escolhido através de sugestões no grupo. Para os órfãos da boa música contemporânea, experimental ou não, o segundo semestre começa de verdade agora – e com outro frescor.

Vida longa ao coletivo.



As bandas, por ordem de apresentação:

Talude [pós-rock/shoegaze/pós-punk]
Meio The Tape Disaster, meio White Lies, o primeiro single da novíssima Talude chama atenção já na primeira audição e cria uma boa expectativa para o que deve vir por aí até o final do ano. Escute Saturday Night.

Orchestre Noire [dark jazz/trip hop]
Assim como a Talude, a Orchestre Noire tem ainda poucos shows em seu curriculo, mas também traz um belo material na bagagem. Se o EP Grokar não é o melhor trabalho do ano de uma estreante por estas bandas, pelo menos é o meu favorito. Escute Eros.

Ruído de Máquina [rock/metal/instrumental]
A Ruído de Máquina fará sua estreia no evento e já chega com a responsabilidade de fechar a noite. Ainda sem registro, a banda promete uma “mistura peculiar de diversos elementos do rock e metal experimental”.
 
© 2012. Design by Main-Blogger - Blogger Template and Blogging Stuff