18 agosto 2009

Arctic Monkeys - Humbug (2009)


 

Já notaram que sempre que uma banda resolve fazer algo “novo” vem um monte de gente dizer que o álbum está mais maduro, as letras estão mais maduras, os integrantes agora são vegetarianos e estão mais maduros? Mas quando você vai ouvir, o que da pra notar é que o som ficou mais...suave? 

No mundo da música sempre tem alguém que solta aquela velha frase clichê de que o grupo está crescendo, então por isso o som está mais maduro.

Mas será que uma banda em fase de evolução é uma banda cheia de problemas que tenta por meio de batidas mais lentas e ritmadas transmitir toda a sua melancolia contida de anos e anos de trabalho? Não que isso seja uma regra, mas no caso do Arctic Monkeys aconteceu assim. Letras iguais, estilo igual, integrantes iguais (tirando pelo Alex que adotou um corte de cabelo não muito legal), mas som totalmente diferente.

Bem. Certamente quem já teve a oportunidade de ouvir o novo trabalho do Arctic Monkeys pôde notar que houve uma boa mudança dos dois álbuns pra cá. Quem achou que ter Josh Homme (líder do Queens Of The Stone Age) na produção do Humbug significaria ter um Alex Turner mais agressivo e um som mais acelerado que antes, acabou tendo uma grande surpresa.

Bem diferente do que foi Whatever People Say I’m Not e Favourite Worst Nightmare, com guitarras bem evidentes, bateria sempre presente e uma certa rebeldia, agora pode-se notar que há uma oscilação entre a melancolia e a desorientação que nos envolve durante toda a audição do disco. É como se os garotos rebeldes de Sheffield tivessem ficado para trás e dado lugar a adultos tranqüilos e responsáveis que não necessitam mais da urgência em transmitir suas canções e até resolveram dar férias ao baterista, pois confesso que não notei tanto a sua presença como nos últimos álbuns. 

Ouvir Humbug do começo ao fim me trás uma sensação agradável. De como se eu estivesse no meio de um campo calmo e infinito, sentindo o vento gelado bater contra meu rosto enquanto caminho despreocupada, e sem eu nem ao menos perceber, sou despertada pelo céu enfurecido que trás junto com sua ira uma tempestade violenta acompanhada de trovões amedontradores. Mas quando tudo acaba, fica só a brisa e o cheiro de grama molhada. Meio desconcertante, enigmático, revelador, psicodélico, completo.

Tive o prazer de conferir um show bem recente dos caras, mas também tive o desprazer de perceber o quanto eles são frios ao vivo. Sinceramente, se a banda não fosse uma das minhas preferidas, teria ido comer um cachorro quente enquanto esperava a próxima. 

Pode ser que o ar sombrio que invadiu a banda neste novo trabalho tenha refletido um pouco em suas apresentações. Ou talvez esse seja apenas um pretexto, uma forma mais suave de dizer que o show foi ruim.

Mas a música sim. Essa é boa.



01 My Propeller 02 Crying Lightning 03 Dangerous Animals 04 Secret Door 05 Potion Approaching 06 Fire And The Thud 07 Cornerstone 08 Dance Little Liar 09 Pretty Visitors 10 The Jeweller's Hands


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