31 outubro 2011

Como obviamente o título já esclareceu esse é o segundo da série de posts com três bandas. E as minhas escolhidas foram:

Rinoceronte

Essa é uma banda pra quem gosta de viajar. A pegada setentista está nos arranjos bem trabalhados que em muitos momentos lembra o Deep Purple.

Alternativa,70's,60's [Nasceu (2010)]


Vivendo do Ócio

Uma das bandas de indie rock destaque na cena dos festivais desde 2009.A fórmula aqui também é usada por bandas como Franz Ferdinand e Artic Monkeys, só que com duas colheradas (muito bem aproveitadas) de sotaque baiano.

Indie Rock [Nem Sempre Tão Normal (2009)]


Madame Saatan

É reza, é carimbó , é metal e é do Pará. A mistura exótica deu um tom vivo e pulsante a monotonia dos riffs e cabeludos de voz gutural/em falsete. Não esqueça de respirar.

Metal, Alternativa [Madame Saatan (2007)]

Mais posts da série:
3 BANDAS DO FESTIVAL DOSOL 2011 #1

24 outubro 2011

Por: Henrique Arruda
Praia de Ponta Negra, Natal RN/ Foto: Daniel Herrera

Já passava das 5h00 da tarde quando o sol – refletindo calmamente no mar cansado de final do dia - anunciava que o momento de folga do Volantes em Natal estava acabando. Era segunda-feira, feriado em terras potiguares. No dia anterior (domingo, 2 de outubro) a banda foi a primeira a se apresentar no Circuito Ribeira, festival que desde março desse ano reúne artistas potiguares e de todo o país para reviver o bairro histórico da cidade a cada primeiro domingo do mês.

“Foi muito bacana, cara. A Rua tava toda lotada e as pessoas circulavam por todos os locais curtindo diferentes sons ao mesmo tempo. Depois do show eu mesmo entrei em um bar hardcore, com umas mulheres fazendo assim no poledance, trabalhei até na Copa do bar para você ter noção”, lembrou Arhtur Texeira, vocalista da banda, sobre a madrugada bem aproveitada, imitando inclusive a dança que presenciou. 

- “Como é que é? Faz de novo aí...Isso deveria estar sendo filmado!! Cadê a Câmera?”, brincou Bernard Simon, baixista do Volantes.

A conversa descontraída e com cheiro de maresia não aconteceuNo Corredor ali’, e sim no Morro do Careca, um dos cartões postais da cidade. “Estamos nos sentido muito punk, quebramos regras hoje aqui. Passamos da placa que dizia que era proibido, mas valeu a pena. Mas eu devolvi as conchinhas que peguei como lembrança”, confessou Arthur, fazendo referência à placa que informa aos turistas que o Morro do Careca é uma reserva ambiental.

A banda gaúcha formada em 2008 nunca tinha tocado no Nordeste até então. Além de Natal, Maceió, Paraíba e Salvador completaram o roteiro. A recepção foi tão positiva que todos os produtos da banda que trouxe para vender nas apresentações acabaram bem antes do previsto. "Já não tem mais nada. E trouxemos vários vinis, CDs e camisetas da banda... as pessoas compraram mesmo e divulgaram bastante o som”, considerou Fabricio Lunardi, baterista da banda ou “simpatia” como Bernard o classificou.

Volantes/ Foto: Daniel Herrera
“Eu acho que de todo o público, 5% do que assistiu ao show deveria conhecer a banda, mas o interessante é que as pessoas aqui aproveitam mais as coisas. O pessoal aqui é mais aberto aos sons e se permitem mais. Ouvem rock, mas daqui a pouco estão escutando reggae, isso não acontece no Sul. Nos shows aqui tinham pessoas que estavam ouvindo pela primeira vez e gostando e outras que realmente já conheciam, mas todas aproveitando o som e apoiando o momento”, avaliou Arthur.

- pausa para o carrinho de som estacionado na areia alguns metros atrás de nós, que desde o início da conversa chamava atenção com sua setlist caprichada no flashback. O dono do "carrinho de mão musical" aproximou ainda mais o aparato com uma manobra ninja e então soltou "She's a Maniac" tema do oitentista "Flashdance"... “Nossa eu sabia toda a coreografia dessa música”, ouvia-se pela areia... 

- Mas...voltando à programação normal: [claro, com o carrinho marcando presença firme no Background]



O rótulo de indie rock não preocupa a banda que, por enquanto, conquistou espaço no cenário independente nacional com 1 EP "Sobre Gostar e Esperar" de 2009 e um compacto lançado ano passado que contém no lado A - Maçãs, e no lado AA - No Corredor Ali. “Eu acho que atrapalha quando isso vira uma barreira. As pessoas muitas vezes não escutam simplesmente por achar que se trata de indie... rock...samba...então não escutam, quando na verdade essa classificação deveria ser apenas um indicativo do trabalho da banda”, reflete o vocalista. “Outro dia mesmo eu peguei um CD da Sheryl Crow e em meio a tanta música ruim, achei uma que até hoje toca no meu IPOD”, revela.

Questionados sobre as influências que espelharam a identidade musical do Volantes, eles admitem não se prender a um único estilo ou artista. “Volantes significa justamente isso, algo como não ter ao que se prender e caminhar em todas as direções. Eu mesmo quando montei a banda ouvia muitas coisas, eles também. É claro que temos um eixo que é esse pós-punk 80/90 com o The Smiths, mas isso é apenas um referencial, nas nossas músicas você ouve desde as batidas dançantes até o rock mesmo, e se você for avaliar bem as letras tem muito de Caetano Veloso e Roberto Carlos”, analisou Arthur.

As músicas, por sinal, mudam constantemente, não porque o público sugere ou eles precisem disso, pelo “gosto de tocar” mesmo. “A gente faz música porque a gente gosta e claro que as pessoas interagem com isso, mas frequentemente experimentamos coisas novas nas nossas composições, sempre tentando melhorar o material. Eu já cheguei a escrever uma música em uma semana e na outra estar apresentando ela no palco. Tem um estágio”, comenta.

Sobre o estilo visual que também dá o tom ao Volantes notado principalmente em seus videoclipes psicodélicos e bem produzidos, Arthur tem uma explicação. “Tudo é válido para expressar uma música e essa parte estética também. Acho que se você tem um disco todo branco ou todo preto você dá essa cor àquelas músicas. O primeiro clipe, de Maçãs, era uma viagem com o lance do leão... já o 2º, para No Corredor Ali, não conta especificamente uma história, são sensações na tela com imagens projetadas, que complementaram perfeitamente o que a música quer passar”.

E mesmo tendo no currículo a abertura do show do Placebo em Porto Alegre, em abril do ano passado, o momento mais especial da banda, segundo eles mesmos, foi a passagem pelo Nordeste, e especialmente por Natal. “Cara, o Nordeste está sendo muito legal, sério. Hoje principalmente. Poder tomar banho nesse mar bacana, água limpa, clima bom, e comer camarão e lagosta por 15, 20 reais também compensou. Em São Paulo não tem isso, no mínimo a gente desembolsaria uns 100”, destacou Bernard que também prefere nem comentar sobre Placebo, ou pelo menos não “muito”. 

-“Ah foi legal, vai” insistiu Arthur. “No outro dia vários fãs da banda vieram nos procurar por Orkut para elogiar o som”, argumentou o vocalista.

“Cansei de comer salsicha com arroz quando nos mudamos para São Paulo”, interrompeu Fabrício. A ida para a Selva de Pedra, além de mudar o cardápio do Volantes, mudou também a formação da banda que de quinteto, agora é um quarteto. “Na verdade eu entendo muito mais as pessoas que saíram, do que as que continuam, porque todo dia a gente para pensar em como é difícil fazer música honesta como fazemos e sobreviver exclusivamente disso”, lamentou Arthur.

“Ter a sua vida funcionando e de repente ter que se afastar da família, da namorada ou dos amigos e ir para um lugar totalmente diferente em busca desse sonho não é fácil”, concordou Bernard.

Fabrício / Fotos: Daniel Herrera
“É claro que é muito bom pelo lado da vitrine que é São Paulo. Estar lá é estar em contato com o resto do Brasil inteiro e sai muito mais barato viajar de lá para o resto do país do que de Porto Alegre. Fizemos um show em Maringá, por exemplo, que saiu à 40 reais cada passagem, se tivesse em Porto Alegre isso nunca seria possível”, considerou Fabrício.

Para o ano que vem, a certeza é o primeiro CD. Eles já começaram a produzir e garantem que além de novas composições, algumas músicas do EP como As Ruas e 10 Minutos, devem voltar repaginadas. "Começamos produzir já e devemos entrar em estúdio em janeiro e lançar em Abril”, informou Bernard.

- “e aí vocês vão voltar por essas bandas com o novo trabalho?”

“Enquanto houver sol por aqui, voltaremos ”, prometeu Bernard enquanto o resto da equipe fazia planos de um palco armado no mar com camarões à R$ 15,00 reais de rodada para a galera ao som de Maçãs, Meu Samba, No Corredor Ali e futuras "eteceteras"...

20 outubro 2011


Por José Rodrigues Jr.*



Talvez você não saiba, mas na sexta e sábado desse último final de semana, dias 14 e 15 de outubro, rolou lá no Centro de Convenções da UFPE a edição 2011 do festival No Ar Coquetel Molotov, ou somente "Coquetel Molotov". Festival ao qual este que vos fala comparece pelo segundo ano seguido e pretende continuar indo nos anos que virão, por se tratar de um evento que trás artistas bem mais interessantes do que os daqui de Natal, talvez com exceção do Festival DoSol que trás boas bandas nacionais (Nem me fale em MADA, porque o line-up da edição "revival" desse ano estava um lixo -- GALERA DO PLANANT TE AMO MAS VCS ME ENTENDEM NÉ?) e um preço de ingresso muito justo de 20 reais por dia. Além disso o Coquetel Molotov é um evento muito bem organizado que junta num local bacana hipster-alt-indies até onde os olhos alcançam, Red Bull por 5 reais (algo relevante para mim que não podia beber) e cerveja Proibida; resumindo: um evento divertido, no mínimo.

Dentre os artistas internacionais trazidos esse ano, destaco HEALTHGuillemots e The Sea and Cake. Os três shows aconteceram no teatro do centro de convenções, os três foram curtos mas valeram cada litro de gasolina gasto e o esforço pra conter dois amigos bêbados de fazerem
merda.

Sobre o HEALTH: Tudo que eu sei é que eles são de Chicago, o som deles é experimental, às vezes dançante, e os álbums deles são divididos em músicas boas e músicas estranhas. Eles têm uma bateria frenética, uns sonzinhos de sintetizador que são repetitivos só que de uma maneira boa, um vocal bonitinho e tranquilo e um guitarrista que dança o show todo e bate cabelo. Não conheço a música que abriu o show, mas ela serviu mais ou menos como exemplo das outras que viriam a seguir: rápida, eficaz, divertida e muito bem executada. O setlist incluiu Goth Star, cover de Pictureplane (a melhor do show), Die Slow, que começou com o som do sintetizador de uma nota só, permancendo nesse único tom por um bom tempo até explodir com a entrada da bateria, Crimewave, mais conhecida pelo remix do Crystal Castles mas que é totalmente diferente do remix, o single do clipe absurdo We Are Water, e encerrou com a excelente USA Boys. Tudo realmente muito fiel ao que se escuta nos álbums, a técnica deles é foda. A propósito, quem souber o nome da música que tocou antes de USA Boys, por favor, me fala que ela é muito boa!


Logo em seguida, subiu ao palco o Guillemots, 3 caras e uma garota (a baixista) e muitos instrumentos ao redor deles, piano, celo e tal. Achei a equalização, do show deles em particular, ruim. Mal dava pra ouvir a bateria e as notas do piano, uma diferença gritante do show anterior, mas nada que pudesse estragar a experiência. Eles abriram o show com Kriss Kross, seguida por Made Up Love Song #43, curtinha como se esperava mas cantada ligeiramente diferente da versão de estúdio. Ironicamente, as músicas que eu não gosto deles são as mais lentas, mas no show foram as melhores: If the World Ends e Annie Let's Not Wait, essa ultima tocada numa versão acústica e a pedido de algum fã, foram executadas maravilhosamente bem. O show continuou com Trains to Brazil, tocada, segundo o Fyfe, em homenagem a todos os presentes, e terminou com São Paulo, que fez quase todos os espectadores que estavam na frente do palco subirem e dançar na frente da banda, dando, é claro, trabalho para os seguranças tirarem a galera toda de lá.

O show do The Sea and Cake aconteceu no segundo dia. Um pouco mais cedo, nesse mesmo dia, teve show também do Copacabana Club no palco menor, não foi grandes coisas mas foi bem animado e divertido. Eles tocaram uma ou outra música nova que, aparentemente, são mais legais do que os trabalhos mais antigos deles. O show do Sea and Cake foi bem sossegado, com todo mundo assistindo sentado. Não tenho muito o que falar sobre eles porque não conheço nenhuma música, só posso dizer que curti o som. Logo depois teve o show do China. Muito ruim, sério, muito ruim. Seguindo ao ponto mais alto da noite, que lotou o teatro, esgotando as senhas do segundo dia do Coquetel Molotov 2011: o show do Racionais MCs! Que, enfatizo, trouxe muita gente, e muita gente com o perfil completamente diferente do padrão do Coquetel. Em resposta a isso alguém soltou por aí essa notícia: Coquetel Molotov confirma Calypso no festival No Ar 2012. É brincadeira, mas depois de Racionais, não duvidaria. Ah, não curti o show.

E depois disso, fim de festival. Que venha o próximo Coquetel!


*José Rodrigues Jr. (@zezz) é aluno do curso de Ciências Biológicas da UFRN e no momento está sem rumo definido na vida. Gosta de artes (incluindo videogames) e às vezes de escrever.

**As fotos do post foram emprestadas da Revista O Grito.

19 outubro 2011

Por Carolina Cunha Lima*



Ana Morena é baixista da banda Camarones Orquestra Guitarrística e mulher do músico e produtor cultural Anderson Foca. Sempre a integrante mais animada do grupo, toca pelo segundo ano no palco do Circo da Luz.

Quais as suas expectativas para o show na Cientec este ano?
A Cientec é um evento bacana, popular, sempre tem muitos jovens. Ela consegue reunir a galera das universidades e dos colégios em uma tarde para ver os shows. Já nos apresentamos aqui no ano passado, a galera é animada, o som é bom, o palco é legal. O público presente está interessado em curtir e conhecer bandas novas.

Como está a agenda de shows da banda?
Esse ano foram quase 90 shows fora daqui, de Natal. A gente toca pouco, somos uma banda das que mais circula pelo país, por todas as regiões. Até o fim do ano, ainda temos mais 20 shows pelo menos. Vamos tocar, sábado (22/10), em uma cidade do interior de São Paulo, depois iremos gravar o programa Sesc Instrumental, para o SescTV, e ainda participaremos do Conexão Vivo, em Belém.

Vocês tocaram, recentemente, na Argentina. Qual a diferença do público de lá para o público do Brasil?
Público da Argentina lotou o nosso show. Eles curtem muito os shows de rock autoral, que são sempre lotados e com filas na porta. O rock lá é mais popular. Já no Brasil, o público é mais rockeiro, mas cada um tem a sua graça. Não importa tocar para dez ou dez mil pessoas. É legal quando as pessoas acompanham, pulam, dançam. São essas coisas que valem.


*Carolina Cunha Lima é estudante de jornalismo da UFRN e costumava escrever pro FUGA em 2009. Fã dos Beatles, adora a fase do iê-iê-iê e dispensa Arctic Monkeys. Não deixa de ouvir aquilo que gosta porque os outros acham ruim.

18 outubro 2011

      Nós aqui do Fuga Underground escolhemos três bandas que cada um pretende observar com maior expectativa no Festival DoSol 2011. Para cada banda daremos em 140 caráteres o que conhecemos e/ou esperamos de cada banda. Seguem a baixo as minhas três bandas escolhidas:   


KRISIUN


      É considerada a melhor do Brasil em matéria de Death Metal. A última vez que esteve em Natal foi em 2003. Velocidade e técnica é com eles.

[Death MetalSouthern Storm (2008).]


VIOLATOR


      Uma das bandas mais comentadas do Abril Pro Rock deste ano, fazem bons shows por onde passam. Tem músicas rápidas e boa presença de palco.

[Thrash Metal. Annihilation Process EP (2010).]



GALINHA PRETA


      Hardcore pesado e rápido como deve ser. Nunca vi nenhuma apresentação da banda, mas vale conferir.  Preste atenção nas letras! hauhauahaua

[Hardcore / Punk / Grind. Ajuda Nóis Aê (2009).]


Outros posts da série:
Festival DoSol 2011.

16 outubro 2011

MAIS DO MESMO

No último fim de semana, rolou mais uma edição do Festival Música Alimento da Alma em Natal. Após um ano de hibernação em 2010, a pergunta que fazíamos era: o que se poderia esperar do festival? Teria sido tempo suficiente para refletirem sobre a direção que estavam tomando nos últimos anos? Será que teríamos um festival reestruturado? Talvez com um dia único de shows e um line-up matador que trouxesse de volta toda glória e relevância do festival como uma festa da boa música como seu nome sugere?

O fã de música é mesmo um otimista! :)

Conforme outubro se aproximava menos animadora se tornava a perspectiva. Entre os anúncios dos habituais zumbis da música como headliners e as negociações com novos paulistas e novos curitibanos mais apreensão – e mais figurinhas repetidas do que vai acontecer por aqui em novembro. Mesmo com cara de Teatro Riachuelo ou de Palco Sunset, como disse o Jornal da Paraíba, pelo menos alguma coisa ali tinha algo de ~antenado~ e de inédito na cidade.

A única coisa que queríamos era conhecer a programação completa da edição. Ignoraríamos quase que completamente o festival como em 2009 ou teríamos a mesma paciência de 2008, quando fizemos uma cobertura entusiasmada pré e pós MADA, tentando resenhar e disponibilizar para download discos de cada banda independente e, posteriormente, escrevendo sobre ele [daquela vez, para o Meio Desligado]?

FALTA DE CRITÉRIOS NO LINE-UP. ATÉ QUANDO?

Não que aquele MADA tivesse sido perfeito, já há algum tempo o festival vem deixando a desejar em suas escolhas. Há quem diga que o MADA é um festival de pop/rock mainstream com algumas bandas indies na programação. Para nós, isso é só meia verdade. Passa a ideia errada de bandas novas de qualidade abrindo para bandas [potencialmente ruins] consagradas pela massa.

Claro que nem sempre é assim. Quando a banda mainstream tem a qualidade de um Pato Fu ou de um Autoramas [que, na verdade, também são independentes], é fácil respeitar as características do festival. O problema é que a cada edição que foi passando o tino musical da curadoria do MADA na escolha das bandas tornou-se cada vez mais infeliz. Acabamos sempre nos deparando com um samba-do-crioulo-doido, onde a única coisa que importa é o pontencial de atrair público ou de tapar buracos. Sim, porque não importa quantas bandas com potencial incrível enviem material para o MADA, o festival vai escolher aquelas terrivelmente fracas, despreparadas e que não têm a mínima chance de gerar repercussão para preencher seu o line-up.

É pouco? Ainda repetem parte da [desgastada] programação da edição anterior.

[Já falamos sobre repetir figurinhas de outro festival da cidade que vinha divulgando seus confirmados desde maio, seis meses antes da realização do festival, mais barato e com muito, muito mais bandas?].

Uma possível [e insuficiente] resposta a tudo isso estaria no corte no orçamento, como se não fosse possível fazer um bom [até mesmo ótimo ou excepcional] festival com headliners de renome e bandas independentes apenas do RN e outros estados próximos, nordestinos.

Isso toca diretamente no nosso interesse pelo MADA, afinal quem aqui quer cobrir [ou ir] [n]uma Festa do Boi pseudoalternativa? Não é por manter o axé, o forró ou o sertanejo de fora que o MADA cumpre seu papel. Estilo musical algum é sinônimo por si só de qualidade.

Se o jeito foi esperar o line-up sair para, então, decidir o que fazer, não ficamos lá muito surpresos por não termos a chance de repetir um especial MADA e dar nosso apoio às bandas que consideramos interessantes, afinal já na última edição o MADA adquiriu o hábito de divulgar a programação completa do festival em cima da hora – apenas dois, três, quatro dias antes do evento acontecer. Mesmo assim ainda registramos alguma coisa naquela época e buscamos estimular as pessoas que passam por aqui a conhecer as bandas da atual edição. Há dois anos, as três ou quatro bandas que despertaram nosso interesse eram boas, mas não eram lá suficientemente atraentes para nos levar ao festival. Teria sido o mesmo neste ano se não tivéssemos tanta curiosidade sobre os shows do Fusile e de Marcelo Jeneci.

MIDÍA ALTERNATIVA, CADÊ?

Aliás, isso nos lembra outro aspecto do MADA: boa parte das ações de divulgação das bandas e do festival feita pelos realizadores estão pautadas na mídia tradicional. Se há um pézinho em ~modernidade~ está no uso do Twitter. Além disso, elas ocorrem quase que exclusivamente em cima de headliners. Tirando as parcerias com @rockpotiguar [que não tem mais site], não vemos qualquer diálogo com a mídia alternativa e seu público. Pelo contrário, sempre que tentamos contato para algo simples como credencais de imprensa fomos ignorados ou negados. Imagine então alguma parceria. Para nossa surpresa, até a Revista Catorze, que tinha sido convidada a ocupar um estande no festival, não teve qualquer regalia.

São pequenas coisas que só reforçam a falta de interesse do festival no fã de música e cultura [e o pouco caso com a própria cena local, como você vai ver mais à frente]. Se para o festival eles não passam de um punhado de gente, os acessos do FUGA somados aos da Catorze contam mais de 16 mil [mensalmente]. É em respeito a esse público, que vai ao MADA interessado [SIM!] na festa, na experiência do festival e está sempre atento ao que acontece no palco – e, principalmente, em respeito às bandas – que repercutimos tudo que vimos no MADA e merece ser publicado.

ESTRUTURA

Chegamos na Arena do Imirá Plaza esperando encontrar uma estrutura pelo menos similar àquela de 2009, quando aconteceu a última edição do evento. Já na entrada, o que vimos foi um descaso total aos estandes da tradicional feirinha do festival. Se algum dia já houve uma ampla e ornamentada área coberta e com assoalho de madeira, inclusive com almofadas para descanso e uma área de jogos de video game, além de estandes variados, que iam desde camiseterias à estúdios de tatuagem, a produção do 12º MADA preferiu o improviso e a precariedade à organização e esmero de suas edições anteriores. Os estandes eram pequenas tendas de lona branca em um corredor estreito que não ofereciam qualquer estrutura ao que havia sido proposto aos expositores convidados. A simples exposição de quadros e o descanso gamer pretendidos pela Revista Catorze se tornaram impossíveis. Difícil é entender o convite para exposição sem que haja o diálogo necessário sobre as condições do local e sem oferecer uma estrutura mínima para que fossem realizadas as atividades pretendidas. É desrespeitoso e pouco profissional. Não é à toa que muitos expositores boicotaram o segundo dia de festival.

A tenda eletrônica seguiu a tendência, assim como a praça de alimentação – agora sem mesas e cadeiras. Uma pena, porque era ótimo repor energias e descansar assistindo confortavelmente um show de alguma banda não muito interessante, como em edições anteriores. Só não entendemos o por quê da manutenção da tenda, afinal sempre passávamos por lá ela estava quase vazia [e aparentemente heterossexual, para nosso espanto].

Parece que o que economizaram no resto da estrutura usaram no palco. Como de costume, um palco enorme dividido em dois revezava as apresentações. A iluminação estava simplesmente INCRÍVEL! Não lembro de ter visto coisa parecida em Natal antes. Era uma coisa linda de ver. Outro ponto forte do festival, foi o som – ainda que existissem problemas em um ou outro show. Em geral, era alto e límpido.

PRIMEIRO DIA

Se da internet já dava para sacar que esse foi um MADA feito às pressas, em loco isso saltava aos olhos. Além da estrutura física, foi notado também no desrespeito e desdém ao artista [principalmente o local]. Houve quem foi listado no line-up, mas contactado pela produção apenas praticamente na véspera do festival. MC Priguissa e AK-47 que o digam. Outra queixa recorrente entre os músicos locais era quanto ao valor do cachê. Teve banda com uma porrada de músicos recebendo apenas R$300,00 pelo show. Outros dizem que foi prometido uma coisa e receberam outra. A sensação de muitos era como se o artista local tivesse que ver sua participação no MADA como um grande favor. Pelo discurso das bandas de outros estados, o tratamento parece ser bem diferenciado [principalmente no que diz respeito às bandas do segundo dia, além das headliners]. Chato? Ainda não era tudo. Como se não bastasse, enfiaram uma banda de última hora na programação e, em razão do atraso, ao invés de deixarem os shows correrem tranquilamente, diminuiram o tempo de apresentação das bandas. Como? Um maldito locutor anunciava a próxima banda no outro palco no meio da apresentação, da música que fosse. Maaaassa!

Agora vamos ao que interessa?

MC PRIGUISSA
Abrindo a festa, MC Priguissa. Ele vem chamando bons públicos em suas apresentações pela cidade, tocando o seu raggamuffin/funk. Infelizmente, como já é característico do festival, mesmo com o sucesso atual, tocou ainda para poucas pessoas, já que era a primeira atração da noite (o público do MADA só costuma entrar a partir da 4ª banda). Se ele parecia desconfortável e burocrático, todos os problemas mencionados até agora explicam. Inclua aí um som mal equalizado no meio.

AK-47
Quarta banda da noite a tocar, o AK-47 foi a primeira e única banda de caráter mais “pesado” a tocar nesta edição do MADA, e a primeira banda a realmente levantar o público presente no evento. A banda é conhecida [amada e odiada] pelos seus shows performáticos, suas mensagens críticas e pela temática gore que empregam. Foi a única banda a declarar insatisfação no palco. Dei valor não o que?
[Para quem gosta de: SOAD. Myspace. A Rainha na Terra dos Decapitados.]

PLANANT
Quando a Planant chegou com o seu rock alternativo/new wave, já existia um bom público na arena do Imirá, mas pessoas pareciam se guardar para os shows que viriam, não importava o ânimo da banda potiguar no palco. Falta de bom gosto é isso.
[Para quem gosta de: U2. TNB. Planant EP 2011.]

TIPO UÍSQUE
A quinta banda foi a carioca Tipo Uísque, com um som experimental e uma cantora de boa qualidade fizeram um som interessante, mas também nada que mexesse muito com os fãs do Natiruts. Whatever, empolgou a gente.
[Para quem gosta de: Metric. Myspace. Afague (2011).]

DUSOUTO
A sexta atração da noite enfim levantou o público do festival, a despeito do som péssimo. O DuSouto fez um show especial contando com a presença de outros artistas potiguares como o próprio Mc Priguissa e Danina Fromer (Emblemas Funk Band), além do Dj Sammir. O show já começou com o público ganho. Boa parte das pessoas que estavam mais a frente do palco já conheciam a banda de outras apresentações e sabiam as letras do inicio ao fim. Com as participações, fizeram um show ótimo de “esquenta” para aquelas que seriam as atrações principais da noite.

MUNDO LIVRE S/A
Enfim, sobe ao palco o Mundo Livre S/A. Como já prometido o show era de lançamento do disco novo da banda, mas o que se mostrou é que as músicas antigas funcionaram muito melhor com o público, até porque a banda vem passando por uma mudança de sonoridade nos últimos anos, tendo as músicas antigas uma pegada mais voltada para o Manguebeat e já as novas uma característica mais urbana. Mas verdade seja dita: o natalense comum presente no MADA só se entrega ao já conhece. Por oscilar entre músicas novas e antigas, acabou agradando.

SEGUNDO DIA

VENICE UNDER WATER

Se tínhamos na memória o show apático e burocrático do Venice no último Festival DoSol, imagine nossa surpresa ao chegar no MADA para ver Fusile e Jeneci e nos depararmos com o SOM DO CARALHO que os caras estavam mandando no palco! É impressionante como eles melhoram a performance. Aproveitaram tudo o que o som – que nunca tinha sido tão bom, tão alto e tão claro – e a iluminação – que continuava nos impressionando – podiam oferecer. Tudo convergia para ser o melhor show que já vimos da banda. O rock e as 200 pessoas presentes na hora do show agradecem. [Ou deveriam].
[Para quem gosta de: Foo Fighters. TNB. Friend (2011).]


BANDE DESSINÉE

A banda pernambuca começou com uma apresentação tímida, como se estivesse fora de lugar. É um som que pedia um ambiente mais intimista. Pelo menos nós, nos sentimos em um cassino. Ao longo da performance, até que o público apático foi esquentando. Bem massa. Depois do frevo francês, teve quem perguntasse pra gente o nome da banda [VICTORY!].
[Para quem gosta de: Serge Gainsbourg. Site oficial. Sinée Qua Non (2011).]

FUSILE

Em uma frase: SE GARANTEM MUITO! Entraram no palco, soou o primeiro acorde e já mostraram a que vieram! O show é de uma energia absurda! Tão instigado que os pratos da bateria cairam pelo menos duas vezes ao longo da apresentação. É como se toda a banda fosse pequena demais mesmo para aquele palco enorme. Saimos com aquela sensação de “eu vi a luz!”.
[Para quem gosta de: Móveis. Site oficial. The Coconut Revolution (2010).]


MARCELO JENECI

O show do Marcelo Jeneci também foi coisa linda de ver. Não tinha visto ainda um público do MADA tão entregue a um artista “novo”. Cantaram junto todas as faixas. Infelizmente, o som, que se manteve excelente em boa parte das apresentações, durante o show de Marcelo Jeneci, ficou baixo – e, não, não foi por ter sido abafado pela platéia enlouquecida. Estava baixo mesmo. E mal equalizado a ponto de mal ouvirmos Laura Lavieri cantar as partes dela na música.
[Para quem gosta de: Tulipa Ruiz. Site oficial. Feito Pra Acabar (2011).]



---x---

Você foi um dos que curtiram o show do Tipo Uísque no MADA?
Que tal ganhar o EP Afague, lançado neste ano?

Tuite:
Eu quero ganhar o CD do @tipouisque que o @fugaunderground está sorteando http://kingo.to/RaS

Sorteio dia 22/10. 24/10.

SORTEIO REALIZADO!
Ganhadora: @danimura.

[somete para o território nacional]

12 outubro 2011


Algumas crianças, como as da foto acima, gostam de humilhar os coleguinhas e aprendem cedo a tocar Metallica (brincadeira de gente grande!). Mas se você não foi uma dessas crianças que trocaram os brinquedos por guitarras, certamente irá se identificar mais com os vídeos a seguir.

Nessa lista não entra nem Xuxa, nem Sandy e Júnior. Apenas alguns clipes que vão fazer você sentir saudade da época em que sua maior preocupação era tirar uma nota boa na escola. Assiste aí enquanto eu vou encher a minha arma d'água e torturar a minha mãe até ela me dar meu presente.

Feliz dia das crianças!

1. Is Tropical - The Greeks

O clipe mais SENSACIONAL dos clipes sensacionais feitos com e sobre crianças. Causou uma certa polêmica ao ser lançado, em Junho deste ano, pela temática de (aspas:) "guerra". Bem, é claro que quem reclamou com certeza já esqueceu como é ser criança. Na realidade você só corre pra lá e pra cá, mexe os dedos e faz barulhos com a boca. Na sua cabeça o que rola é mais ou menos isso aí:


2. The Black Keys - Thighten Up


Nesse clipe a música do Black Keys é comicamente dublada por réplicas-mirins da dupla americana. Várias mensagens podem ser captadas neste vídeo: Tal pai, tal filho; o amor nos deixa bobos como crianças;  mulheres: destruindo amizades desde pequenas; eu era a criança mais inteligente e os amiguinhos idiotas; você também era um indie solitário e romântico desde cedo e não sabia.



3. Kaiser Chiefs - Never Miss a Beat

"O que você aprendeu na escola? - Eu não fui; Porque você não foi pra escola? - Eu não sei." Ah se eu desse essas respostas em casa... Esse clipe é genial! Dá vontade de pegar uma máscara e sair junto dançando, mas não teria mais a adrenalina, a sensação de revolução ao matar a aula. "Olhe as crianças nas ruas, elas nunca perdem uma batida".


4. Audioslave - Doesn't Remind Me of Anything

Aqui a coisa começa a ficar um pouco mais séria. Além de evidenciar o abandono de uma criança que teve seu pai levado pela guerra, o clipe mostra uma dialética entre as brincadeiras do menino e as cobranças que a vida logo vai lhe impor como adulto, assim como fez com seu pai. Faz parte desse processo a raiva, a frustração e a a derrota. A história do pequeno pugilista é na verdade uma grande metáfora pra muitas coisas. Destaque pra atuação do menino. Um dos meus clipes favoritos.


5. Serj Tankian - Empty Walls

Ainda um pouco mais pesado, aqui vemos uma crítica direta a Bush e à Terra do Tio Sam - reparem na cartola do Serj. Na minha interpretação, a ideia é mostrar o mundo como brinquedo na mão de governantes irresponsáveis e infantis. Na página do youtube a descrição relata cronologicamente os acontecimentos do vídeo (como a queda das torres gêmeas). Triste. Me lembro que interromperam a TV Globinho pra fala das torres...



6. Kings of Convenience - I'd Rather Dance with you 

Nada melhor que Kings of Convenience pra amenizar o clima. Não tenho muito o que falar desse. Menininhas engraçadinhas vestidas para dançar ballet acabam aprendendo uma dança diferente - leia-se BIZARRA - com o próprio Erlend. O mais engraçado é ele "versão  pirralho" no começo.



7. Veronica Maggio - Mandgsbarn

Ainda nesse tempo ameno, o próximo clipe é indicação de @claracortez e eu não conhecia. É basicamente um "retrato da infância". Uma das partes que mais me identifico é a das crianças desenhando no quadro branco.



8. Death Cab for Cutie - No Sunlight

Eu não sei vocês, mas eu ADORAVA andar de bike. A diferença aqui é que, como sugere o título da música, não há luz do sol no dia deste jovem. Eu no lugar dele teria me divertido muito mais num dia assim, tipo quando acabava a luz e ficava de noite e eu saía correndo pra rua. Eu saía correndo!



9. The Cure - Boys don't Cry

Gente, Rock Band já fazia sucesso no começo dos anos 90. Mas eu confesso que esse clipe sempre me assustou muito quando eu era menino, quase me fazia chorar. Primeiro pelos olhos vermelhos e demoníacos da sombra do Roberth Smith; segundo pela maquiagem de O Grinch do respectivo vocalista-mirim; terceiro porque eu nunca vi crianças tão ruins no air-guitar quanto esses. Sem falar na cara de triste do baterista. Terror total!



10. Pink Floyd - Another Brick in The Wall

E pra fechar, um clássico que dispensa apresentações e comentários. Um hino para crianças de todas as gerações: Hey teatcher, leave them kids alone!



Se alguém lembrar de mais algum coloca aí nos comentários! ;]

02 outubro 2011

Por: Henrique Arruda

Foto: Divulgação

“Queria um nome de uma palavra só e que tivesse um significado, um conceito. PÚBLICA quer dizer para todos, comum a todos. Era esse nosso desejo quando começamos a fazer música”. O ano era 2001 quando Pedro Metz, vocalista do Pública e dono da declaração acima resolveu unir forças com mais quatro amigos (Guri, Guilherme, Amaro, Cachaça) e então fazer música. Inspirados pelos grandes “Beatles, Neil Young, Stones, carreiras solos do Lennon, Paul, Smiths, Stone Roses...”, os primeiros acordes nos ensaios já mostravam o interesse da Pública em ser uma banda autoral.

Na época, enquanto não surgiam as primeiras composições próprias, uma música em especial definia bem, para Pedro, a vontade de montar uma banda e viajar o mundo. “Uma música de outro artista que me lembro de ouvir e pensar 'tenho que fazer uma banda' foi Mary, do Supergrass. O riff de Rhodes do começo me hipnotizou. Mas na verdade as bandas britânicas dos 90, como Oasis, Verve e Radiohead plantaram em mim uma vontade imensa de ser músico”, lembra.

Dos primeiros ensaios até o terceiro álbum, Canções de Guerra (que pode ser baixado no site oficial da banda), lançado agora em setembro, uma década se passou e 33 músicas foram lançadas. Polaris de 2006 e Como num Filme sem Um Fim de 2008 são os dois primeiros CDs que completam os primeiros capítulos dessa - por enquanto - trilogia.

“A guerra, no caso, seria essa luta que travamos há anos para nos estabelecer como uma banda criativa, relevante e que se sustente. A vinda para São Paulo só tornou isso uma coisa mais forte dentro da banda. O título veio porque as canções realmente espelhavam muito desse comportamento de músico vindo para uma cidade maior, tentando reconhecimento”, esclarece o vocalista, fazendo referência à mudança da Pública para São Paulo em outubro de 2009. “É uma cidade maravilhosa, que aprendemos facilmente a amar. Desde que viemos pela primeira vez como banda, em 2004, sabíamos que um dia moraríamos aqui”.

A bela vista do Cais Mauá não foi a única companhia a deixar a banda com a mudança; Cachaça (bateria) e Amaro (piano) também. Na nova formação, Pedro, Guri e Guilherme dividem o palco com Papel na bateria e Luciano Leães, que gravou o piano do terceiro álbum, mas não vai se juntar à banda oficialmente. Agora a Pública é um quarteto. “O Leães, oficialmente, não se juntará a banda, porque ele tem outros compromissos. Mas neste momento ele está aqui em casa, ensaiando para os shows de lançamento, totalmente empolgando e nos dando uma energia muito boa, uma confiança no trabalho. É um orgulho ter ele no time. Toca muito!”, considerou Metz.

Para muitos o terceiro álbum traz consigo também uma crise de identidade. É a famosa transição entre o fim da “novidade” e o início do “veteranismo” na indústria musical. Mas Pedro afirma que ao Pública esse sentimento não aconteceu. “Acho que não, devemos ter ficado inseguros em algum momento, mas as músicas nos deram confiança de que estávamos no caminho certo. E também, com todas estas mudanças, de cidade, integrante, foi um desafio maior. Tínhamos sobre o que escrever”.

E de fato eles tinham. Nas 11 faixas que formam Canções de Guerra: religião, perdas, angústias, amadurecimento, versos mais intimistas de uma banda que amadureceu bastante se comparada às composições dos dois álbuns anteriores. “Ainda estamos incertos, mas sobre como será a recepção ao disco. No geral é muito positiva. Mas música é uma insegurança sempre, tu lida com gostos, com humores. O mesmo disco pode ser avaliado de diferentes formas. São muitas variáveis. Então tentamos não pensar se daria certo, se agradaria: fizemos um disco como achamos que ele deveria ser”.

Com mais uma parte da estrada a percorrer, na qual as Canções de Guerra é que darão o tom, Pedro avalia que não houve uma única mudança principal na banda durante esse período, “e sim um conjunto de pequenas mudanças que acarretaram no que se ouve agora. Talvez o principal tenha sido nossa necessidade de mudar”, pontua.

SOBRE CANÇÕES, GUERRA E ...MÚSICA – Pedro Metz (Pública)


Capa de 'Canções de Guerra', o 3º álbum do Pública

O processo de produção desse novo álbum foi muito diferente dos dois anteriores?
PEDRO: Foi diferente: gravamos os dois primeiros no sítio da minha família, no interior do RS, numa sala que não era um estúdio, mas que propiciava ótimas condições acústicas. Este, gravamos no Rio, no estúdio do Lobato, integrante do Rappa. Fora isso, tivemos duas mudanças de integrantes, o que traz diferenças musicais efetivas.

Muita coisa ficou de fora?
P: Não, quase nada, mas já estou começando a fazer novas músicas para um próximo disco.

Em Canções de Guerra, a música preferida é:
P: Não tenho, mas O Homem, em termos de trabalho coletivo, tem um poder.

Silenciou são quase 6 minutos de música com instrumental sensacional, como foi finalizar o álbum com  - talvez - a mais “fúnebre” de todas?
P: Chegamos a cogitar dela abrir o disco, mas daí seria um risco desnecessário. Ela só caberia como primeira ou última música.


Cartas de Guerra tem vocais femininos e isso deu um ar completamente especial à essa canção. Como surgiu a ideia e quem são as meninas por trás das vozes?
P: Cara, eu gosto muito deste tipo de arranjo vocal feminino, tipo Tom Jobim em Passarim. Fiz a segunda estrofe, letra, pensando em dar uma resposta a primeira estrofe, que é a parte do homem na guerra. Então as coisas foram naturais. As vozes: Leticia Rodrigues, Tita Lima e Renata De Bonis.

Corpo Fechado conquista de imediato o público pela sua letra saudosista (característica forte da banda, por sinal). Essa letra é sobre alguém ou alguma situação?
P: Difícil dizer. No momento de compor o que conta mais são tuas experiências do que algo ou alguém específico. Todos à minha volta me trazem sentimentos que aproveito nas músicas. Portanto, se você anda comigo, cuidado: umas das músicas pode ser para você, heheheh!

No dia 23 de agosto, os fãs tinham mais um motivo para esperar até às 17h00 daquele dia, hora do lançamento para o clipe de Corpo Fechado. Um vídeo de certa forma polêmico, e que permite diversas interpretações. Como surgiu o conceito desse vídeo?
P: Criei o roteiro, como venho fazendo há alguns anos nos clipes da Pública. O resto da banda contribui com ideias para melhorar meu conceito inicial. Depois chamamos um diretor para co-dirigir comigo, pois tenho muito interesse nesta área. Sempre tento dar um outro olhar sobre a letra, pois letra é pra isso mesmo: interpretar!





Muitos compositores têm rituais para dar vida às suas composições. Você tem algum?
P: Tentei fazer e o resultado foi ruim! Na real, as melodias eu vou arranhando o violão, ou guitarra, atrás de uma seqüência de acordes que inspirem uma melodia digna. Depois toco a melodia até ela me sugerir uma palavra ou frase que desvende a composição. Não gosto de me preparar para compor, desisti disso, então faço as letras em situações cotidianas.


Canção de Exílio de Como num filme sem um Fim já era uma espécie de premonição para as Canções de Guerra?
P: Pode até ser.  Esses dias me fizeram uma pergunta semelhante, mas a música era outra. Como Canção de Exilio é do Amaro, um dos integrantes que saiu da banda, não sei se faz sentido. Mas a música do Amaro já era a Pública esboçando uma aproximação com ritmos negros, groove, o que fica mais audível agora.

Ano passado vocês abriram pro Franz Ferdinand e foram inclusive elogiados pelos caras. Como foi essa experiência?
P: Foi incrível. O Alex e o Nick, vocal e guitarra, viram o show de cima do palco. Foram muito legais com a gente, o Nick ficou um tempão conosco conversando, jantamos juntos no backstage. Mas fora isso, fizemos um ótimo show, e o público foi de uma generosidade imensa. Boa parte deles sabiam que estávamos nos mudando pra SP. Foi um prêmio para a banda fazer aquele show da maneira que foi.

Sobre a Pública do inicio; quando os amigos enxergaram que música poderia ser o caminho certo?
P: Quando formamos a banda, em 2001, para os primeiros ensaios, já o fizemos com o intuito de ter um trabalho sério. A medida que o tempo foi passando e as composições evoluindo, a Pública virou prioridade pra mim e pras pessoas que passaram a integrar a banda. É normal a primeira formação de uma banda mudar, porque quando a coisa começa a ficar séria, tu tem que respeitar o colega que tá investindo nisso. Meus companheiros do começo viram que eu era muito dedicado e resolveram partir para outros caminhos.

1996 (Como Num Filme Sem Um Fim), é muito singular entre as composições da banda, o clipe também ficou muito bem produzido.  Como foi compor essa faixa?
P: É uma homenagem a data em que meu pai faleceu. Foi a típica canção que quando fiz os acordes, pensei “vou fazer uma boa música”. Quando pinta este sentimento de cara, é inevitável que o resultado seja diferente.

Durante a gravação de Como Num Filme Sem Um Fim, vocês fizeram o doc Casa da Esquina 23, em Canções de Guerra um blog. O  contato com os fãs é sempre uma prioridade no momento de gravação do álbum?
P: Somos um pouco ruins neste tipo de coisa, ficamos muito presos à gravação. O Casa da Esquina 23 foi uma oportunidade de mostrarmos o trabalho da banda em estúdio, as discussões, métodos, dinâmica da banda. Claro que poderemos fazer este tipo de doc no futuro, eu acho muito legal para quem nos admira ter acesso a este tipo de coisa, mas no momento da gravação o que importa mesmo é o som. Isso na verdade é uma prova de respeito a quem nos acompanha.

Vocês já tocaram aqui em Natal, há bastante tempo inclusive. Tá na hora de voltar, dessa vez com Canções de Guerra, já tem previsão de quando isso vai acontecer?
P: Ainda não temos previsão, porque as coisas no meio independente estão bem estranhas. Adoramos Natal, cidade muito hospitaleira, como em geral as cidades do nordeste e do norte são. E o Guilherme, baixista, tem parentes em Natal. Então pra nós é sempre um prazer ir para aí!

Quais são os próximos passos que a banda pretende dar? A gravação de um primeiro registro ao vivo, por exemplo?
P: Sim, isso está nos planos, se arranjarmos uma lei de incentivo certamente faremos ano que vem.

 
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