26 dezembro 2011


          Malefactor. Foto por Rafael Passos                                         

“Siga o asfalto” esta foi a frase mais ouvida durante o final de semana em que passei na cidade de João Pessoa, no intuito de cobrir os dois dias do Festival Mundo 2011. O motivo da famigerada frase, era que ao chegarmos à cidade e também antes do primeiro dia do festival precisamos encontrar a casa onde eu (Felipe Alecrim) iria ficar, a cada dica aparecia um “siga o asfalto”, seria válido se 90% das ruas da cidade não fossem asfaltadas.

Mas com foco no festival, este ano a estrutura mudou. O Festival Mundo 2011 foi organizado em seus principais dias no Espaço Cultural, local amplo e de ótima estrutura para a montagem de palcos e de todo o suporte que um grande festival precisa ter. Negativamente tem o fato de o local ser em uma área residencial e portanto ter limite de horário para os shows, o que ocasionou problemas logo no primeiro dia com a cancelamento do show da Macaco Bong por ter excedido o horário permitido. Outro problema é que sendo um espaço enorme, se faz necessária a presença de um grande público para tornar qualquer evento ali atrativo.

No tocante às bandas, até pela dica de “seguir o asfalto” acabamos atrasando no primeiro dia, Brasis e Chico Limeira foram bandas que apenas ouvimos de fora ainda, são bandas com ritmo regional, algumas vezes se assemelhando a algo de MPB ou música de barzinho, mas o que nos foi contato é que são artistas de boa presença de palco.

Entrei no show da Monstro, boa banda instrumental de João Pessoa, a única ressalva é a pouca interação com o público e a percussão que é tocada muito baixo, quase passando despercebido, algo que poderia ser o destaque da banda. Em seguida subiu ao palco a Nuda, não empolgou, talvez em um show mais intimista provoque melhor recepção. A única potiguar no evento, a Planant levou ao festival uma mini caravana que ficou à frente do palco tirando fotos e cantando, o restante do público não pareceu se interessar muito. Em uma noite que se destacou pelo fraco público e pouca, ou nenhuma instigação a Dalva Suada veio para ser do contra, um show animado com boa presença de palco, músicas pesadas e rápidas, causou boa impressão e alguns chegam a bater com o pezinho no chão.

A sergipana Plástico Lunar fez um show apenas razoável, alguns comentaram que o som da banda se tornou mais pop depois de uma mudança de guitarrista. Cérebro Eletrônico, banda paulista, foi mais uma a fazer um show apenas normal, sem mais comentários. O pernambucano Zé Cafofinho entrou fazendo uma mistura de ritmos, quem gosta desse tipo de música gostou.

Chegando ao fim do primeiro dia aconteceria a apresentação da Macaco Bong, digo aconteceria porque obviamente não aconteceu. Como já dito acima o evento excedeu o limite de horário permitido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, o que tornou proibida a apresentação da banda, os organizadores ainda tentaram montar o show em um mini-palco no chão, mas a policia entrou com viatura e tudo mandando parar, após alguma discussão o show acabou sendo cancelado, já que não existia tempo abio para mudar a apresentação para outro canto.

No segundo dia de evento após alguns percalços conseguimos chegar ao Espaço Cultural já no final do show da Rotten Flies, banda de hardcore da cidade, ao entrar já foi possível perceber um melhor público, mas nada de extraordinário. A banda mais conhecida da cidade subiu ao palco, a Zeferina Bomba. Ótimo show, boa presença de palco, muito peso, boa empatia com o público, apresentaram a maior parte das músicas do cd “Nós precisamos de 20 minutos para rachar sua cabeça”. Após o show aconteceu algo, que para muitos foi uma falha de organização do festival. Entre o show da Zeferina e o da metaleira Malefector aconteceu uma parada de mais ou menos uma hora para apresentações de dança. O festival é multicultural, mas acho que cada estilo artístico tem seu momento, em um dia onde a maioria das bandas era de som agressivo e o público era em suma de pessoa que estavam ali para ouvir as bandas colocar uma apresentação de dança entre bandas não agradou. E bom frisar também que neste momento aconteceram apresentações áudio visuais no planetário também.

Quando a Malefactor subiu ao palco os metaleiros da cidade foram à frente do palco, muitos cantavam e alguns “batiam cabeça”. Seguindo a programação subiu ao palco a Vivendo do Ócio, seguramente foi o show que teve mais participação e interesse do público, só acho que em um show de 30 minutos, com o público ganho, uma banda ainda tocar dois covers é esquisito, mas enfim, o fascinio do público pela banda chegou ao ponto de tirar a atenção de muitos para o show do Autoramas, teoricamente a maior banda do dia, era tanta gente ao redor da besta que transportou a banda após o show que cheguei a pensar que tivesse morrido alguém, eram apenas menininhas querendo tirar fotos.

O show do Autoramas foi animado, a banda está acostumada com grandes shows e mesmo com um público não foi dos maiores conseguiram segurar a onda, interagiram, botaram o público para dançar em um bom show.

Quebrando a sequência de rocks do dia subiu ao palco a Baiana System com seu dub. Muitos já tinham ido embora, alguns poucos dançaram e curtiram o show. Fechando a edição 2011 do festival o raper Kamal tocou para poucos, sem muito brilho.

14 dezembro 2011


O som do Dry the River não é algo para se ouvir de olhos secos, tampouco os corações vazios irão se emocionar com o lirismo anglo saxão folk-indie-rock-neo-gospel das composições. A banda, que figura como uma das apostas da BBC Sound of para o ano de 2012, foi formada no início de 2009 pelo vocalista norueguês Peter D’Artagnan Liddle como um projeto solo que trabalhava influências que ele recebeu enquanto estudante de medicina e antropologia na faculdade.

Mais tarde o projeto solo se tornou a banda, e em junho de 2009 foi gravado em 2 dias o seu EP de estréia “The Chambers & The Valves”.Já em janeiro de 2010 eles lançaram seu segundo EP “Bible Belt” contendo seis faixas,com além dos elementos citados, traços de música country na sonoridade. E em março 2011 eles lançaram o EP New Ceremony com duas faixas: New Ceremony e Lion’s Den. No mês junho deste ano eles lançaram o EP No rest com duas músicas, a faixa-titulo "No rest" é um lindo hino cristão que pela sua grandiosidade me lembrou um pouco "You’ve got the Love" interpretada por Florence Welch do Florence & The Machine .A outra canção intitulada de "Night Owls" mais parece um hino campestre sobre antepassados e liberdade,não chama tanta atenção.


O EP mais recente Weights & measures saiu em novembro de 2011 ,e traz apenas quatro faixas que são "Thou art loosed " e mais três que também estavam no EP de 2010, Bible Belt : "Family Tree "que no de novembro virou "Family" igual com as mesmas vocalizações; "Bible Belt" em sua “Field version” e a dolorida (agora faixa-título) "Weights & measures" que mostra na frase “I was prepared to love you and never expect anything of you”(Eu estava preparado para te amar e nada espero de você)toda a dor de um amor não correspondido.


A maioria das músicas que estão nos EP's irão compor o disco da banda Shallow bed, previsto para sair no dia 5 de março de 2012.Até o lançamento curtir a fossa das festas de fim de ano secando rios de vinho ao som do Dry the river parece uma boa pedida.

New Ceremony | No Rest
1.No Rest 2.New Ceremony 3.Lion's Den

Weights & Measures | Bible Belt
1. Shaker Hymns 2. History Book 3. Weights & Measures 4. Family Tree 5. Bible Belt 6.coast

Dry The River
Gravadora: Sony Music
Origem: Londres/Inglaterra
Estilo: Folk/Indie/Rock/Gospel
Para quem gosta de: Radiohead/Mumford and Sons/Johnny Cash/Noah and the Whale

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