
Escutar e gostar das músicas de
Marilyn Manson foi e sempre será um guilty pleasure. É como se a cada audição
nossos olhos fossem cobertos da mais densa maquiagem e o nosso corpo de roupas
andróginas e ou esquisitas, replicando o visual construído por Marilyn. No seu
oitavo disco Manson procura vestir a fantasia de si próprio, uma volta ao som
que o consagrou, presente em sua força total nos álbuns Portrait of an American Family de 1994 e Mechanical Animals de 1998. Born Villain é o
primeiro álbum lançado pelo selo de Manson o HELL, ETC em parceria com a
gravadora independente Cooking Vinyl.
O disco inicia com Hey Cruel World faixa com batidas eletrônicas e instrumentais repetitivos, essa é sem dúvida
uma música dispensável no contexto do disco, em seguida vem a ótima No
Reflection agora com uma presença maior das guitarras. Sugiro aos degustadores
auditivos que pulem Pistol Whiped e vá para Overneath the Path of Misery,
faixa que tem a mesma batida que Cake and Sodomy do Portrait of an American Family só que em ritmo mais acelerado e raivoso. Slo-Mo-Tion é uma quinta
faixa de encher os ouvidos, aqui Marilyn sai da zona de conforto e acrescenta
alguns elementos de glam rock, que deixa a faixa com um tom menos sombrio do
que o natural.
Gardener e Flowers of Evil têm certamente influências de As Flores do Mal de Charles Baudelaire, não é novidade que ele escolha alguns “temas” relacionados a livros e filmes como base para seus discos, que o diga o Eat Me Drink Me de 2007 cheio de referências a Alice no país das Maravilhas e Lolita. A Flowers of Evil sendo um tanto quanto melhor do que a chatinha Gardener. Outros destaques são a nervosa Murderers are Getting Prettier Everyday, a faixa-título Born Villain que nada mais é do que uma combinação entre ritmo sexy e letra com mesclas de citações de Shakespeare, e You’re so Vain versão de uma música brega de Carly Simon (clique aqui para ver a breguice) que se transformou em algo mais do que audível. Inclusive quem toca guitarra e bateria neste cover é o ator Johnny Depp. O Born Villain é um bom disco, enérgico como há muito tempo não se via nos trabalhos anteriores, e um ótimo retorno as origens.

