10 julho 2012

ANATHEMA – WEATHER SYSTEMS (2012)


 

Falar do Anathema é falar de uma banda que está em constante renovação. O grupo surgiu em Liverpool na Inglaterra, por volta de 1990, tocando doom metal, e se tornou um expoente do estilo, principalmente, até o ano de 1995, quando o então vocalista Darren White deixou a banda, pouco antes das gravações do álbum The Silent Enigma. A partir daí o Anathema começou a enveredar por ritmos mais calmos, cada vez menos doom e mais progressivos e melancólicos.

Colocadas as primeiras disposições, posso começar a falar sobre o mais recente trabalho dos ingleses. Weather Systems, nono álbum dos caras, definitivamente afastou a banda do rótulo doom, e os colocou de vez na estrada das bandas de rock progressivo / atmosférico, muitas vezes puxando a sonoridade para o post rock, o que é perceptível nos timbres de guitarras e instrumental em geral, e até alguma coisa do pop britânico. Não que alguns insípidos traços do doom metal não existam, mas ficam quase imperceptíveis frente às inúmeras nuances do trabalho. 


Outra mudança logo percebida à primeira audição do novo álbum é a evolução do vocal de Vincent Cavanagh. Quem escuta com menos atenção pode até pensar que trocaram de cantor, fato perceptível logo na primeira música Untouchable, Part 1, que também se destaca por sua pegada remetida ao pop britânico. O cara atingiu um nível de afinação e harmonia com o instrumental que beira a perfeição. Se nos álbuns anteriores ele primava pelo sentimento que conseguia colocar nas letras, neste disco podemos adicionar ao conjunto da obra a técnica vocal, que às vezes faltava aos trabalhos anteriores. Outro ponto de destaque no disco são as participações da cantora Lee Douglas, sempre dando um toque a mais de leveza e brilhantismo nas canções, em belos duetos com Vincent. A título de exemplo fica Untouchable, Part 2, a música, que por si só já segue uma crescente instrumental, engrandece ainda mais com a entrada da cantora.

Em The Gathering of the Clouds esses duetos são explorados durante toda a canção, os backing vocals dão um tom ainda mais especial, sem contar o belo instrumental. A passagem desta à próxima música é quase imperceptível, tamanha a preocupação da banda em gerar um ambiente interligado entre as músicas: a linha do piano praticamente junta as canções. 

Lighting Song é a única faixa inteiramente cantada por Lee Douglas. A música chega próxima da perfeição na sua junção entre peso e melodia, são arranjos que se ajustam como uma luva com a linda voz de Lee. 


Na perspectiva de elevação segue Sunlight, com uma entrada de extrema leveza, e que segue um crescimento impressionante, de prender a atenção do inicio ao fim, até o levante final.

Weather Systems possui 9 músicas, nos seus 55 minutos, que transportam quem ouve o álbum para um ambiente de paragens calmas e viajantes, tornando curto o tempo do disco para a sensação que provoca. 

Voltando às músicas que compõem o álbum, The Storm Before the Calm carrega uma boa levada eletrônica, retornando da metade em diante ao piano/violão. 

Embora os traços progressivos e atmosféricos estejam cada vez mais evidentes, é um erro pensar que as guitarras estão esquecidas. Exceto nas músicas acústicas presentes no trabalho, as canções possuem bonitas passagens do instrumento, traços estes evidentes em The Beginning and the End que possui como destaque seu belíssimo solo.

The Lost Child traz arranjos orquestrados, artifício que a banda já usara em discos anteriores. Diria que é a música que mais se aproxima dos antigos trabalhos em termos instrumentais. Não que a música seja alguma repetição de coisas passadas, longe disso. 

Internal Landscapes começa com uma narração que introduz a música em si, remetendo ao lado mais atmosférico do som que o Anathema vem fazendo com mais maestria a cada álbum. A música segue a linha piano/violão e os vocais de leveza quase celestial que fazem o tom do disco. 

Com mais este trabalho o Anathema mostra que é uma banda sem medo de se recriar. Os rótulos usados durante todo o texto são apenas uma tentativa de dar ao leitor um mínimo de norte sobre os caminhos que a banda segue, mas o que eles estão conseguindo produzir está muito acima disso tudo. Recomendo que escutem com o máximo cuidado, e a cada audição perceberão algo mais rico no trabalho do grupo britânico. A quem resolver se dar ao prazer de ouvir este som desejo uma boa viagem, eu já o coloquei como uma das melhores coisas que ouvi no ano. 


01 Untouchable, Part 1 02 Untouchable, Part 2 03 The Gathering of the Clouds 04 Lightning Song 5 Sunlight 06 The Storm Before the Calm 07 The Begining and the End 08 The Lost Child 09 Eternal Landscapes

Anathema - Weath Systems
Lançamento: 16 de Abril de 2012
Origem: Liverpool, Inglaterra
Estilo: Progressive Metal, Doom Metal, Atmospheric Metal, post rock
Selo: Kscope Records
Para quem gosta de: Antimatter, Paradise Lost, The Gathering, Agua de Annique, Alcest
 
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