04 setembro 2012

Aimee Mann - Charmer [2012]


 


“Eu estava pensando em uma sonoridade que fosse melhor produzida e mais pop para o disco, após compor a canção tema de Charmer, algo como se estivéssemos no anos 70, um pouco depois da era disco e antes da new-wave. Escutávamos Cars e Split Enz e Blondie, e os primeiros trabalhos de grupos como o ABBA." 

Esta declaração acima é da própria compositora, Aimee Mann, ao dizer como ela gostaria que o álbum Charmer soasse. Após várias audições, eu diria que ela alcançou o resultado esperado.  Este novo trabalho apresenta composições mais pop e fáceis de cantar do que as suas últimas produções. Para quem não a conhece, Aimee Mann foi uma integrante da banda Til Tuesday, nos anos 80, mas somente alcançou o devido reconhecimento ao compor a trilha sonora para a obra prima do diretor norte-americano Paul Thomas Anderson, Magnólia, em 1998. A música dela pode ser classificada como alt-country, com um forte apelo indie.


A canção-título (e também primeiro single deste trabalho) abre Charmer já mostrando o uso cafona dos sintetizadores. O mais legal é que mesmo soando cafona, a notas combinam com o clima despojado da música, mas é claro que a linha de baixo ajuda a dar uma quebrada de ritmo. Disappeared segue na mesma pegada sem mostrar nada que seja realmente relevante. Mas é na terceira faixa, Labrador, que o álbum começa para valer. Com uma produção bem limpa, e uma letra excelente, Labrador desponta rapidamente como um dos pontos altos de Charmer, com os vocais que fizeram Aimee ficar mundialmente reconhecida com Magnólia.

A próxima música, Crazytown, continua com a ascensão de qualidade. Os teclados estão aqui novamente, mas desta vez bem melhor utilizados e alocados, servindo como riff, e o gancho para o refrão pegajoso é uma das coisas mais gostosas que Aimee gravou nos últimos anos.

A colaboração com o integrante do The Shins James Mercer na faixa Living a Lie é outro delicioso momento de Charmer. "..I’m living a lie, you're living it too, cause I live it with you". 


O clima setentista fica bem acentuado na faixa Gamma Ray, desta vez com os sintetizadores mais tímidos desta vez e alguns efeitinhos eletrônicos. Mas o que carrega a faixa nas costas novamente é o vocal da cantora. Eu diria que este disco é 40% vocal. Não digo pelo lado técnico da coisa, até porque vocais são a última coisa que percebo quando avalio e resenho um disco, mas do ponto de vista melódico, a voz de Aimee preenche as canções de um modo que ela não precise tanto de muitas camadas de instrumentos nas canções.

Para finalizar, a última música de Charmer, Red Flag Diverreserva um momento maravilhoso, com versos no melhor estilo Carpenters: "..Red flag diver, jump to me Red flag diver, jump to me I’m just floating here In a big red sea Red flag diver, dive in". 

Charmer é mais um bom disco da cantora, que no próximo dia 8 completa 52 anos, e que embora não esteja mais no auge como no final da década de 90, ainda mostra que tem bastante fôlego pra ficar na estrada lançando discos por mais alguns anos.

Aimee Mann - Charmer
Lançamento: Agosto de 2012
Origem: Richmond / Estados Unidos
Estilo: Alt-country / Indie
Minha nota: 8,0/10
Pra quem gosta de: Wilco (3 primeiros discos)
 
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