Lucas Santtana - O Deus Que Devasta Mas Também Cura (2012)


Dia desses um colega de sala reclamou sobre a falta de bons músicos na cena brasileira (curso de Direito é assim, a gente fala de um tudo e tudo pra não falar da matéria. Ninguém gosta daquela matéria). Ele falou da carência por novos Caetanos, de compositores que saem do conforto de sua humilde residência. Ele não soube procurar, na verdade.

O Lucas Santtana estava aqui o tempo todo e só você não viu. Desde Cira Regina e Nana o cantor me conquistou com sua habilidade de mesclar crônicas nas músicas e em O Deus Que Devasta Mas Também Cura (2012), ainda que não possua a ousadia dos seus antecessores, acrescenta (e muito) a caravana de discos nacionais em 2012.



Ainda o que a faixa homônima como lead single não empolgue tanto, a partir de Músico o Lucas Santtana faz uma sequência de acertos. Só na versão da canção de Tom Zé, Herbert Vianna e Bi Ribeiro há um combo com a participação da Céu, do Curumin, o synth e as cordas ao fundo (no melhor exemplo de crescei e multiplicai-vos). A modernização dos instrumentos clássicos é habitual no repertório do Lucas Santtana, vale destacar ainda a orquestra do arranjo de Jogos Madrugais e Ela é Belém (esta poderia sair do disco do Curumin).

O Deus Que Devasta Mas Também Cura (2012) não tem a coerência ou o desejo de inovar como o Sem Notalgia (2009), por exemplo, mas é mais confessional. Dia de Furar Onda No Mar é totalmente dedicada aos domingos em família com Josué - aliás, o álbum todo é dedicado ao filho de Lucas e sua ex-esposa, Anna Dantes, o que contribui para ser ainda mais sincero.


O Deus Que Devasta Mas Também Cura, Lucas Santtana
Lançamento: 28 de fevereiro de 2012
Origem: Brasil
Estilo: nova mpb, indie, samba
Selo: Independente
Para quem gosta de: Céu, Cidadão Instigado, Karina Buhr, Wado

O disco esta disponível para download no site oficial de Lucas Santtana.