06 setembro 2012

Mystery Jets - Radlands [2012]

 


Uma das melhores recordações que guardo da minha viagem à Londres em 2010 foi o Festival Lovebox em Julho daquele ano. Naquela ocasião, além de ver o The Maccabees no auge da carreira, tive a oportunidade de estar em um show do Mystery Jets, e foi mágico ver o vocalista Blaine (que possui restrições de movimento) fazer um esforço comunal para garantir o show. Quando a banda surgiu em 2005, eu meio que torci o nariz para os caras, uma vez que uma ex-namorada me apresentou a banda, e portanto, para esquecê-la, acabei me forçando a esquecer das coisas que me lembravam dela. Making Dens, o disco de estreia da banda, foi proferido num grande momento da música britânica alternativa. O disco de estreia dos Arctic Monkeys quebrava record atrás de record,  de todos os lados da ilha surgiam bandas com grande potencial (o já citado The Maccabees, iForward, Russia!, The Kooks, Sunshine Underground, etc.), e não havia melhor momento para estes garotos mostrarem suas faces ao mundo. Ainda bem que no final de 2006, eu deixei para trás meus problemas pessoais e finalmente pude curtir o álbum como deveria. Dois anos depois, tiveram mais um ótimo lançamento, Twenty One, que além de continuar com os hinos indies, apresentava o uso de sintetizadores e tinha uma pegada mais disco. O sempre temível terceiro álbum (uma vez que grande parte das bandas daquela época sucumbiram neste estágio) não atrapalhou tanto assim o Mystery Jets. Seretonin, embora não seja tão bom como os seus predecessores, ainda mostrava lapsos de criatividade, como na bela Alice Springs.


Este Radlands, quarto long play de inéditas da banda, já começa com um fato curioso. Às vésperas de terminar a produção do disco, o baixista Kai Fish, que já havia lançado anteriormente seu disco solo Life in Monochrome, anuncia que deixará a banda após o lançamento. Acho interessante levantar este cunho histórico, porque mesmo a banda tendo mudado de locações da gravação para passar um clima mais descontraído e leve em Radlands, já podemos perceber que a ausência de Kai será fundamental para o futuro do Mystery Jets.

O álbum tem um início excelente. A canção título de abertura, e a sequência com a folk You Had Me At Hello e o hino Someone Purer levaram minhas expectativas às alturas. 

"...I've heard there's a place where we go to die It's a terribly overrated horse-shit shaped hole in the sky"  



Com exceção da criativíssima Greatest Hits (onde Blaine conta a história de um término de relacionamento, e por isso acaba jogando fora seus discos favoritos. Qualquer coincidência com a minha históriazinha pessoal do início da resenha é mera coincidência),  o miolo do disco se mostra um pouco fraco, contrariando as expectativas. The Ballad of Emmerson Lonestar e The Hale Bop são composições totalmente dispensáveis neste Radlands, e eu com certeza não as incluiria neste trabalho, pois ambas soam totalmente perdidas.

Para compensar, as três últimas músicas elevam novamente a qualidade. Sister Everest é uma típica gravação do Mystery Jets. Vocal descompromissado e mórbido, levada agitada na bateria, backing vocals indies, e efeitinhos no teclado como se fosse um órgão. Depois tem o momento épico com Lost In Austin, que  eu espero piamente que seja a vertente musical daqui para a frente, uma vez que eles abraçaram de vez um som mais pacato. Se tudo que eles comporem soar com esta faixa ou até mesmo como Flakes (do Twenty One), eu serei eternamente fã e stalker do trabalho deles.

Talvez Radlands peque pela falta de consistência e regularidade, mas além de ser um lançamento muito mais centrado que Serotonin, ele dá um mais um fio de esperança de que a banda continue junta, e eu realmente espero que eles superem a perda do baixista e sigam com esta linha mais folk.

Mystery Jets - Radlands
Lançamento: Junho de 2012
Origem: Londres / Inglaterra
Estilo: Indie / Folk-indie
Minha nota: 8 /10
Pra quem gosta de: The Maccabees / The Kooks
 
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