Stars - The North [2012]


A banda canadense de indie-pop chega ao seu sexto álbum e parece que envelhecem como o vinho. The North explora novamente o discurso da banda para a chegada da morte, de um possível fim de tudo. Mas ao falar de morte, a banda não toma rumos fáceis ou comumente discutidos, a abordagem aqui recria o mal do século, amplamente reverenciada na época do Romantismo, que é a de morrer por amor (Do You Want to Die Together?). Mas este mesmo questionamento não se limita ao fim da vida, há todo um trabalho filosófico em cima de questões paradoxais, como por exemplo ao falar da complexidade do Amor (A Song is a Weapon).

"..You are the one, you are the bullet in the chamber of the gun You are the long forgotten predator's son And you will be here ages after I'm gone I can only hope to kill you with a song."

A letra acima, que pertence à nona faixa do álbum, mostra um pouco do esmero durante a composição das canções de The North. Há toda esta mística Smithiana de brincar com o paradoxo destes sentimentos, da forma mais direta e pura, resultando em uma maior carga lírica para o álbum. Aliás, há uma referência clara à banda de Manchester na canção The Walls.

"..We were children, we danced to 'Hand in Glove'"


Musicalmente, The North é um disco bastante estruturado no synth-pop e em beats. Porém isso não o torna necessariamente em um disco eletrônico, boa parte das passagens melódicas são conseguidas pelos vocais do Campbell e da já bem conhecida Amy Millan. As vozes de ambos agora estão sendo melhor aproveitadas, pois na minha humilde opinião, no disco anterior (The Five Ghosts)  as canções predominantemente com o vocais do Campbell eram muito fracas. Não me entendam mal, eu adoro o vocal dele, tanto que a minha música favorita do Stars continua sendo aquela em que as duas vozes foram utilizadas grandiosamente de forma mágica.


A primeira parte do disco é  de perder o fôlego, tendo como ápice a sequência Hold On When You Get Love and Let Go When You Give It, Through the Mines Do You Want to Die Together?  Desde a epopeia synth-pop sofisticada da primeira, passando pela composição power-folk a lá Arcade Fire de  Through the Mines, e terminando na melodia girly sessentista de Do You Want to Die Together?; estas três composições por si só já poderiam explicar em poucos minutos a proposta deste trabalho, e até diria mais, as três representam com maestria todas as nuances e paisagens que o Stars vem criando ao longo desta carreira que já dura mais de uma década.

Talvez eu faria uma exceção apenas para a penúltima faixa, Progress, um canção synth-pop bem menos inspirada se comparada ao restante do álbum. Mas a essa altura a banda já vai ter ganhando facilmente o ouvinte, e se não bastasse, ainda tem a pérola pop The 400 que, sem dúvida, é o momento mais emocional, minimalista e introspectivo de The North, de uma fragilidade única, para se escutar com fones de ouvido e ter as mais variadas sensações que ela proporciona.

Ao final da audição há uma necessidade extrema de ouvir o disco novamente, para observar melhor algumas nuances, perceber sonoridades que passaram batidas, confrontar algumas letras e passagens, são estes tipos de trabalho que realmente me prendem a atenção. Muito melhor que o trabalho anterior, arrisco me a dizer que é meu álbum favorito do Stars, a frente até mesmo do Set Yourself On Fire de 2004

Maravilhosamente planejado, gerido, escrito, composto e produzido.

"..If you lose your way just ask a stranger they'll let you know. There's no way back to that house you knew so long ago."


Stars - The North
Lançamento: Setembro de 2012
Origem: Toronto / Canadá
Estilo: Indie-pop / Synth-pop
Minha nota: 8,9 /10
Pra quem gosta de: Broken Social Scene / Metric