31 janeiro 2012

Arte de Aureliano Meds


O Cena Independente é uma coletânea mensal baseada no Music Alliance Pact. A ideia é juntar blogs nacionais, cada um representando um estado, na divulgação do que há de novo na música independente e alternativa de cada canto do país.

Caso queira integrar seu blog ao projeto, entre em contato pelo mixtape.cenaindependente@gmail.com

Nesta primeira edição, 13 faixas que vão do shoegaze à música de carnaval.




Saiba mais sobre cada uma:


ALAGOAS: Sirva-se
Adrenaline – Olhos Famintos
new metal
Adrenaline, banda ativa no cenário alagoano a mais de seis anos, lançou agora no mês de janeiro seu primeiro EP contendo 6 faixas de um som pesado mesclado a passagens melódicas. Fruto de uma longa caminhada, marcada por diversos contratempos e dificuldades muitas vezes comuns na cena independente, a banda não perdeu o gás e liberou um material de qualidade e muito bem encontrado dentro do estilo musical ao qual se propõe a fazer. O destaque vai para a música Olhos Famintos que traz uma introdução sombria e uma letra bem introspectiva.
Para quem gosta de: Deftones, Korn, Coal Chamber


AMAZONAS: Som Independente
Luneta Mágica – Remédio pra Gripe
electronica
A Luneta Mágica surgiu em 2008, após Chico e Pablo, companheiros da banda Debochantes e prolíficos compositores, decidirem dar uma virada no som que faziam e seguir outro rumo. A proposta da nova banda contrastava com a da antiga: em vez de um som cru, a Luneta Mágica seria mais polida. Depois de várias formações e instrumentos que variaram desde o saxofone até o ukulele, a banda resolveu tomar outra virada radical: a mistura do rock and roll com música eletrônica, pouco experimentada pelas bandas locais de Manaus. Em novembro de 2011 a banda lançou seu primeiro EP, Remédio pra Gripe.
Para quem gosta de: Radiohead, Aphex Twin, Os Mutantes


BAHIA: El Cabong
Magary – Pegada de Dodó
black samba
A música de Carnaval de Salvador nos últimos anos penou para conseguir produzir algo relevante, apesar da alta produção. 2012 surge com algo diferente ditando a moda do verão. Um percussionista que decidiu criar a própria carreira e que tem mostrado que dá pra fazer música divertida, dançante, totalmente carnavalesca e relevante. Com influência de música angolana, samba, ritmos baianos e black music, Magary é a sensação que torcemos para ficar.
Para quem gosta de: Música africana, Wilson Simonal, Carlinhos Brown


ESPÍRITO SANTO: Ignes Elevanium
Mesu Komuro Trio - Pizza Blunt
soul/funk/instrumental
Um baixo marcante, um teclado setentista, uma bateria bem postada e uma sonoridade cinematográfica, intimista e cheia de feeling. Esse é o Mesu Komuro Trio, banda instrumental idealizada pelo multifacetado músico capixaba Lucas Côrtes. Com dois EP's na conta, Queijo Ornamental de 2010 e Mamão Papaia de 2011, o grupo já flertou com diversos estilos, desde a salsa até o trip-hop e tudo isso, acreditem, sem perder a harmonia e uma personalidade incrivelmente própria. Pizza Blunt, faixa escolhida para a mixtape, contém os elementos mais apaixonantes do último release dos caras: baixo lindíssimo, linhas de teclado simples mas "catchy" e bateria funkeada. Surpreendam-se. E além disso todo o trabalho dos caras está disponível no soundcloud e no last.fm, e de graça.
Pra quem gosta de: Situation, Mark E., Lucas Côrtes


MATO GROSSO: Factóide
Alexandre Facchini – A Notícia Ruim Ilustra a Reportagem
eletrônica alternativa/synthpop/hip hop
A letra de Ricardo Sardinha e a música (e toda a gravação) por Facchini retoma uma bela parceria que existe também na Strauss, a banda mais famosa de Mato Grosso nos anos 90 e que abriu caminho para tudo que aconteceu nos anos 2000 (e que recentemente comemorou 20 anos em grande estilo). Facchini, originalmente baterista, tem amplo domínio de uma vasta gama de instrumentos e é um dos grandes músicos do estado. Além de tocar em várias bandas e projetos, também tem se arriscado nas produções com toques eletrônicos, como nesta canção.
Para quem gosta de: Criolo e Silva.


MINAS GERAIS: Meio Desligado
Graveola e o Lixo Polifônico - Babulina's Trip
MPB experimental
A Graveola é uma das principais bandas de Belo Horizonte na atualidade e possui um dos maiores e mais fieis públicos na capital mineira. Suas músicas  atualizam a MPB e o tropicalismo com ousadia e imprudência, mesclando-os aos mais diversos gêneros. Em Babulina's Trip, as muitas influências e referências da banda são transpostas para a letra, que se confunde com a história do próprio grupo e da cena artística em que se encontra.
Para quem gosta de: Los Hermanos, Mutantes, Novos Baianos


PARAÍBA: Atividade FM
Rieg – The Histrionic
lo-fi/folk/trip-hop/funk
Rieg é um projeto formado pelo Rieg Wasa, músico conhecido por tocar com o grupo Madalena Moog, e ainda integrantes de bandas bastantes conhecidas na cena local como  Burro Morto e Dalva Suada, sendo eles Felipe (Guitarra), Daniel (Baixo) e Nildo (Bateria). O projeto lançou seu primeiro EP, The Histrionic, no final de 2010, e ainda é dos trabalhos que nós chama bastante atenção por ter saído um pouco da sonoridade convencional e um pouco saturada de algumas bandas locais.
Para quem gosta de: Burro Morto e Madalena Moog.


PARANÁ: Defenestrando
ruído/mm - O Prestidigitador
canção instrumental
O ruído/mm (lê-se "ruído por milímetro") é uma banda instrumental pós-rock de Curitiba. Com o lançamento do ótimo disco Introdução à Cortina do Sótão, eles foram o grande nome da música curitibana em 2011, ao lado d'A Banda Mais Bonita da Cidade. Influenciados por todo o tipo de coisa que possa influenciar compositores, suas músicas parecem contar grandes histórias sobre a vida, mesmo sem pronunciarem qualquer palavra ou frase. O Prestidigitador é a última faixa da Introdução.
Para quem gosta de: Mogwai / Sonic Youth / Debussy


PERNAMBUCO: AltNewspaper
D Mingus – Cosmicamente
folk/rock/psicodelia/lo-Fi
Domingos Sávio, o D Mingus, é um artista recifense dos mais interessantes que apareceram depois dos anos 2000. Realizando gravações no esquema monodeck, acabou por criar uma banda com o mesmo nome, pautada na música instrumental da mais alta qualidade.  Antes e depois da monodecks, a mente criativa do músico sempre desenvolveu músicas com outras influências e estilos. Em 2010 lançou um dos registros mais interessantes da música pernambucana, misturando Lo-Fi, Folk, Rock e muita psicodelia. Neste começo de 2012 o artista está de volta, um novo registro de uma mente doentia que não para de pensar, desenvolvendo um dos trabalhos mais fora do eixo da música brasileira na atualidade. No novo disco, Canções do Quarto de Trás, mais uma vez o formato de gravação lo-fi e caseiro foi utilizado, porém tudo feito na mais alta qualidade.
Para quem gosta de: Walter Franco / Sid Barret / ennio morricone


RIO GRANDE DO NORTE: FUGA Underground
Peaceful Pants – She Messes
freak folk
O Peaceful Pants é o trabalho solo de Adriano Sudário, vocalista e guitarrista da banda potiguar de twee pop Hey Apple. Em novembro, o músico lançou o melancólico Floating Island, disco de 12 faixas, cheio de participações de figuras ilustres do rock potiguar. Em She Messes, encontramos a música mais pop do debut – uma letra simples em uma melodia deliciosamente pegajosa.
Para quem gosta de: Kings of Convenience / Elliot Smith / The Tallest Man On Earth.


RORAIMA: Som Independente
Vinícius Tocantins – Ponto Fixo
folk/indie rock
Janeiro de 2012 chega como uma grata surpresa aos fãs do músico/compositor Vinícius Tocantins, que lançou virtualmente seu segundo EP solo chamado A vida vem em ciclos. O segundo compacto do artista, assim como o primeiro, conta com duas composições próprias e uma releitura.
Para quem gosta de: Marcelo Camelo / Paralamas / Frejat


RIO DE JANEIRO: Rock In Press
El Efecto – Pedras e Sonhos
Descobrir o El Efecto nunca foi um problema, tamanho a quantidade de pessoas que me indicar a banda. O combo gosta de misturar estilos e instrumentos e deixar sua música bastante diversificada e extremamente bem arranjada, deixando-os praticamente inclassificáveis. Na bagagem, a banda já anota dois álbuns (Como Qualquer Outra Coisa, de 2004, e Cidade das Almas Adormecidas, de 2008), além de um single de 2010 e dezenas de outros shows pelo país, incluindo até apresentação no Equador. Para 2012, ouvi comentários de um DVD ao vivo gravado na Audio Rebel, tradicional casa de show, gravações e ensaios do Rio de Janeiro além de um CD ou EP novo para fevereiro ou março.  A faixa “Pedras e Sonhos” mostra bastante dessa variação musical  e do incrível arranjo que a banda costuma a fazer para suas músicas. A versão presente neste post é acústica, gravada para a Tocavideos.
Para quem gosta de: Pendulum, Labirinto e Eskimo


SÃO PAULO: Move That Jukebox
Blemish – Love Me Until You Hate Me Enough
90's/pop/shoegaze
Saída do começo da década passada, a banda Blemish tirou o pó das guitarras em 2011 - e logo nesse comecinho de 2012, volta com uma reedição caprichada de seu cultuado EP Silver Bong Song, com novos arranjos, remixado e com a inclusão da linda e singela Nite Nite. Mas o destaque fica por conta da abertura do EP. Love Me Until You Hate Me Enough dispara microfonias, guitarras sujas e um vocal calmo que se contrapõe à barulheira organizada da banda. O Blemish retorna em 2012 depois de uma longa hibernação - e promete fazer valer a espera com lançamento seu esperado debut, intitulado Transatlantic Broken Dreams.
Para quem gosta de: My Bloody Valentine / Superguidis / Pavement



24 janeiro 2012


Não importa quantas reportagens o Jornal Hoje insista em fazer, o meu maior problema numa viagem é a bagagem. Minha sensação é de remorso, eu não poderia ter o luxo de estar confortável numa poltrona do avião, sem saber se ela está num lugar aconchegante ou se não foi extraviada. É a mala que me pesa na consciência, tal como é a bagagem que o Sir Paul McCartney carrega que se transforma numa verdadeira âncora. É inevitável, em qualquer resenha sobre o cantor não levantar a ficha de ex-integrante dos Beatles, um dos compositores de maior sucesso e possivelmente morto - alguém precisa explicar direito essa história do Abbey Road.

Kisses on the Bottom é um reflexo de um amontoado de referências e expectativas. São cinco anos que separam este do penúltimo trabalho de Paul, Memory Almost Full (2007); e eu, como fã, não estava preparado para um período de abstinência tão grande vindo de alguém que lança um álbum a cada dois anos, praticamente. Junte-se a isso parcerias com artistas como Diana Krall, Eric Clapton e Stevie Wonder, é um disco que só pela ficha técnica garante cinco estrelas na Pitchfork.

Então eu decidi virar um mochileiro por essa galáxia e abandonar a bagagem ali no cantinho mesmo. Não é saber que essas canções embalaram a infância de Paul que fará você gostar do álbum. Ou que apenas duas músicas são de autoria do Paul, "My Valentine", lançada como primeiro single, e "Only Our Hearts", a faixa que encerra o álbum.


O trunfo de Kisses on the Bottom é repaginar os clássicos do jazz, sem ter a pretensão de fazer uma versão melhor que a original. "I'm Gonna Sit Right Down and Write Myself a Letter", conhecida na voz do Fats Waller, perdeu sua introdução feita ao piano, mas manteve um embalo clássico dos anos 20. Assim como "Ac-Cent-Tchu-Ate the Positive" que, ainda que sem as altas notas como na versão de Aretha Franklin, a música originalmente gravada pelo The Pied Pipers, soa divertida e simples.

Outra canção que se destaca no álbum é "We Three (My Echo, My Shadow and Me)" com uma interpretação mais intimista e sentimental. E ainda sobre ser tristemente romântico, a já citada "My Valentine" tem uma composição de quebrar o coração e com um com um arranjo calmo feito ao violão, acaba funcionando como um Someone Like You 2.0 - ainda pretendo me especializar no quesito comparações inusitadas.

O resultado é que o décimo quinto álbum do Paul McCartney é mais uma bela bagagem, um Louis Vuitton no mínimo. E é justamente pelo nível do cantor que eu me posiciono como um professor de ensino fundamental que exige bastante do aluno mais inteligente. De um ex-Beatles, eu esperava um arranjo um pouco mais inovador, visto as inúmero possibilidades que as misturas de jazz, rock e soul permitem.

Anotação de rodapé: Kisses on the Bottom tem quase uma hora de duração e pode ser um pouco cansativo nas primeiras audições, mas utiliza sua credencial de sou brasileiro e não desista nunca.


Kisses on the Bottom, Paul McCartney
Lançamento: 07 de Fevereiro de 2012
Origem: Liverpool, UK
Estilo: Jazz, Pop, Rock
Selo: Hear Music
Para quem gosta de: Frank Sinatra, Dean Martin

Site - Twitter

Poderia ter sido eu, você, um amigo, um conhecido. Mas não: quem escreveu as letras e melodias de Canções de Apartamento foi Cícero Lins. Recém-graduado em Direito, recém-saído da casa dos pais para morar sozinho na Zona Sul carioca -- a 3 horas da sua antiga cidade interiorana --, ele montou um pequeno estúdio em seu apartamento e gravou um dos debuts nacionais mais comentados do segundo semestre de 2011.

Ex-integrante de uma banda essencialmente de rock, Alice, que terminou em meados de 2009, Cícero compunha todas as canções. Com o fim da banda, reuniu material já escrito com material novo e, entre novembro de 2010 e abril de 2011, gravou de forma independente o Canções de Apartamento. Em junho, liberou as faixas para download no Facebook.

Cícero fala sobre solidão, dor, desencantos, relacionamentos, pequenas alegrias e trivialidades. Aborda quase todas as desventuras que podemos identificar no nosso próprio cotidiano, o que talvez explique a boa recepção e empatia junto ao público. E tudo isso envolto em um climão criado por violões de MPB, acordeons à lá Arcade Fire (ou Beirut), pianos, guitarras, microfonias e distorções. É um disco delicado, emotivo, confessional. E, sobretudo, bonito.
 

A turnê de divulgação do disco já começou, e podemos encontrá-lo fazendo shows pequenos e médios em livrarias, casas de show e bares, tudo devidadamente anunciado na sua página oficial do Facebook.
 

Cícero - Canções de Apartamento 
Lançamento: 22 de Junho de 2011
Origem: Rio de Janero, RJ
Estilo: MPB / Indie Rock / Experimental
Pra quem gosta de: Los Hermanos, Marcelo Jeneci, Pélico, Apanhador Só, Beirut

Site oficial | MySpace | Facebook

Clique aqui para baixar o Canções de Apartamento - link disponível no site oficial.

20 janeiro 2012

Cemitério de Elephantes no Flecha na Goela, Mossoró/RN. Foto: Emmily Barreto.

Lembram que meses atrás fizemos uma entrevista com a banda Cemitério de Elephantes? Pra quem não lembra, ela está aqui.

Pois é, o Cemitério de Elephantes é uma conexão Mossoró-Natal formada por Thassio Martins, baixo; Luan Rodrigues (Red Boots), guitarra/voz; e Joaquim Dantas (Jubarte Ataca) na bateria. Eles se definem como “uma banda de rock'n'roll incongruente, ou punk silencioso, ou post-rock mal feito e descompromissado.” Resumindo bem, o som dos caras é aquele que eles estão a fim de fazer. Rock, grunge, indie, punk, folk, são várias as possibilidades. O Cemitério de Elephantes é uma banda de música instrumental com uma leve tendência ao experimentalismo, e um pouco de charme.

Os caras acabam de lançar o primeiro EP, Morse, que já foi disponibilizado para download no MySpace da banda.



O EP de estréia possui 6 músicas autorais. Destaque para Your Death Will Be My Holiday e Trachimbrod, o ponto forte do EP e única música a possuir vocal. O ponto fraco do Morse talvez seja a gravação, feita em home studio, que deixou a desejar em alguns aspectos. Mas o que realmente importa é que 2012 já está começando com boas novidades, e em breve a banda produzirá mais material.

Por enquanto, baixem (aqui) e escutem Morse, primeiro EP da banda Cemitério de Elephantes.


Morse, Cemitério de Elephantes
Lançamento: 20 de Janeiro de 2012
Origem: Mossoró, Rio Grande do Norte
Estilo: post-rock, indie rock, rock instrumental
Para quem gosta de: Câmera / Tesla Orquestra / Hossegor




16 janeiro 2012

Por: H E N R I Q U E   A R R U D A

Faça o download gratuito do álbum no site da banda: 
Um bom nome para o primeiro álbum é no mínimo fundamental para que a “nova banda” ganhe notoriedade, afinal de contas nada é tão pop quanto aguçar a criatividade do público. Nesse sentido, pode se dizer que o Harmada, acertou a flecha bem no alvo com o seu Música Vulgar para Corações Surdos, lançado no ano passado.

Ao contrário do que pode se imaginar, não são faixas para amansar dores de cotovelo ou as rotineiras desesperanças amorosas - claro que podem até servir como plano de fundo - mas não  é este o objetivo final. “São músicas sobre/para pessoas que mal dormiram e já precisam acordar para trabalhar, estudar ou assumir as mais diversas responsabilidades. No meio disso, todos os signos das cidades que influenciam nessas narrativas”, explica Manoel Magalhães, guitarra e voz da Harmada.

Se pudesse ser definido por uma única palavra, o álbum de estreia do quarteto carioca, seria urbano. “Apesar de formatos diferentes, todas [as músicas] acabavam abordando temas complementares e ligados ao cotidiano em uma cidade de muita gente, muito trabalho e pouco tempo livre para realizar atividades que desafoguem a cabeça e o corpo dessa rotina pesada”, explica Manoel  na entrevista feita por e-mail ao FUGA.  

“Até as canções que podem ser consideradas como músicas que falam sobre relacionamentos amorosos tocam nesse ponto, na inadaptação à velocidade das coisas. O nome [do álbum] só serviu para como uma cola geral desses recortes”, completa.

Você pode até estar conhecendo a banda agora, mas, Manoel Magalhães, 30, guitarra e voz; Juliana Goulart, 28, bateria; Brynner Buçard, 28, guitarra e Eliza Schinner, 30, baixo - já compõem o cenário independente carioca há algum tempo. Todos vêm de outras experiências musicais antes da atual banda com nome de livro.

“Esse nome [Harmada] já existia na minha cabeça antes mesmo da Polar. Foi uma obsessão que talvez só a psicanálise explique, pensei nesse nome em 2003 e até hoje ele está aí. É o nome de um romance do João Gilberto Noll que fala sobre utopia, talvez Harmada represente isso, um sonho, algo ligado ao inconsciente da realização pessoal”, destaca o vocalista.


A vontade de continuar fazendo música foi a principal culpada pelo nascimento da Harmada. Manoel explica que com o fim da “Polar”, sua banda anterior, ele resolveu chamar Juliana para a bateria e então montar um novo projeto. “nem sabia bem no que ia dar, mas tentamos. Acho que essas coisas acontecem sem muita explicação mesmo”. Além da estudante de turismo, e do redator, um médico (Brynner) e uma analista de mídias sociais (Eliza) acreditaram na ideia e juntos transformaram a “utopia de João Gilberto Noll” em um tipo de realidade.

“A nossa experiência com o jeito independente de trabalhar facilitou a relação que tivemos com o disco. Não existe dinheiro, vai demorar, mas um dia sai. Pensamos assim e foi o que aconteceu. Tudo é feito, basicamente, no amor e na camaradagem, além também da necessidade de expor e se envolver em um trabalho no qual se acredita. Então todo mundo já estava um pouco escolado em como as coisas funcionam”, destaca.

A conexão foi tão grande que nenhuma das faixas criadas para apresentar a nova banda ao público ficou de fora do primeiro CD. Todas as 14 músicas estão lá.  “Acho que Corações Surdos foi a que mais surpreendeu. Ninguém sabia direito como ficaria, até porque o pianista fui eu, ou seja, alguém que é semianalfabeto no instrumento”, brinca.

A faixa citada por sinal acaba de ganhar um videoclipe feito em parceria com a produtora “Caos e Cinema”. As imagens foram captadas pelo diretor, Rodrigo Séllos, durante uma viagem de trem de Amsterdã à Paris. “A intenção dele era realizar um curta ou um estudo de cinema, mas como é meu amigo e estava ouvindo muito o disco, teve a ideia de unir a música com as imagens e pronto, fazia total sentido”, justifica.



E vem um novo vídeo por aí! Luz Fria será a próxima música a ganhar um videoclipe. “Ganhamos um edital da Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro para gravar o videoclipe de Luz Fria, será o segundo trabalho da nossa parceria com a produtora Caos e Cinema. Com uma grande produção e estrutura legal. Estamos bem animados e esperamos que seja o nosso cartão de visitas esse ano”, comenta Manoel.

SOBRE UTOPIA, URBANISMO E MÚSICAS VULGARES PARA CORAÇÕES SURDOS: HARMADA



É nítido aos ouvidos – e até mesmo aos corações surdos – o poder das letras neste álbum. A maior parte das composições surgiu de experiências pessoais? Como vocês construíram estas 14 histórias? 


M: Como o meu processo de compor é baseado no formato clássico da canção pop, as letras são uma coletânea de idéias e histórias que eu consegui juntar no período de três ou quatro anos, mas não são, necessariamente, coisas que aconteceram comigo. No geral, nascem da observação e projeção do cotidiano alheio. E em como isso se relaciona com a minha imaginação do outro. 

“Avenida Dropsie”, por exemplo, é uma das faixas que melhor transmite o cotidiano urbano do álbum. Como surgiu esta música especificamente?

Harmada - foto: facebook da banda 
MANOEL: Surgiu nesse momento intermediário onde também apareceu a idéia do nome do disco. Avenida Dropsie talvez seja a canção símbolo do conceito do MVCS. Fiz a música logo depois de uma viagem à São Paulo e com a peça Av. Dropsie, da Sútil Companhia de Teatro, na cabeça. Até por isso a participação do Guilherme Weber na música, a narração dele é autoexplicativa para o tema do disco.

Existe alguma música preferida ou que cause mais impacto com a galera na hora dos shows?

M: Acho que a que pega logo na primeira audição é Sufoco e foi composta com essa intenção mesmo, apesar da letra não acompanhar o tema e o clichê da música. Sufoco é o anúncio publicitário do disco. E deu certo. 

Como vocês têm notado a reação do público com o álbum de estreia?

M: É a melhor possível. A intenção era cativar pelas letras, quem acaba prestando atenção percebe que existe a intenção de questionar certas coisas. Já vi muita gente por aí com todas as letras decoradas e recebo e-mails, do país inteiro, dizendo que o trabalho comunica justamente por isso.

Vocês foram apontados como uma das principais apostas para 2011 por diversos blogs, sites e jornais.  Isso causa uma responsabilidade maior para começar 2012?

M: Com certeza. Mas a nossa expectativa é de crescer muito em 2012. Ganhamos um edital da Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro para gravar o videoclipe de Luz Fria e esperamos que seja o nosso cartão de visitas esse ano. 

Corações Surdos acabou de ganhar um clipe, Luz Fria será a próxima, mas existe alguma faixa do álbum que desperta imediatamente em vocês a ideia de um videoclipe?

M: Avenida Dropsie. Seria sensacional poder fazer esse videoclipe também.

ensaio - foto: facebook da banda 


Quais são as maiores influências da banda?     

M: Muita coisa influencia. A Sutil Companhia de Teatro, por exemplo, influenciou muito o primeiro disco. As influências não são, necessariamente, musicais. O que está influenciando agora as idéias para o segundo disco são a estética sentimental de alguns filmes brasileiros dos anos 70, filmados em 16mm colorido, e a nostalgia de uma música afetiva, sem muitas referências à um som padrão da indústria. Aquele sentimento do final do Terra Estrangeira, primeiro filme do Walter Salles, por exemplo. Essa união do afeto na relação entre imagem e som. 


Há alguma previsão para vir tocar no Nordeste, ou mais especificamente em Natal?

M: Queremos demais ir ao Nordeste. Estive em Natal com a Polar e foi sensacional, sempre quis retornar. Seria um sonho poder levar o nosso show a um festival como o Do Sol (onde toquei em 2005) ou o Mada. Estamos esperando os convites, que aceitaremos com muito prazer. 

Já tem alguma música nova pronta?  
 
M: Ainda nenhuma está totalmente pronta, só ideias iniciais. Mas nosso planejamento é lançar, pelo menos, duas músicas novas em 2012.

13 janeiro 2012



Ao ouvir o som da Bullet Bane você pode até pensar que são uns macacos velhos no estilo, um hardcore melódico com energia, boa técnica, ótimas composições. Mas na verdade a banda é formada por uns moleques de São Paulo com idades pouco superiores aos 20 anos, que têm grande influência de bandas do punk / hardcore californiano, de bandas como Belvedere e NOFX

A banda provém da "finada" Take Off The Halter, formação que também levava o mesmo estilo e já ganhava destaque tocando com grandes grupos do hardcore mundial em São Paulo. O motivo da mudança do nome, segundo os músicos, seria o sentido atribuido à antiga denominação, que muitas vezes era deturpado em outros países. Só isto já mostra que os caras não querem ficar presos ao Brasil.


O primeiro trabalho da Ballet Bane, New World Broadcast, foi produzido pelo Philipe Fargnoli (Dead Fish), e traz 11 músicas em inglês, com abordagem em temas como ignorância, armas nucleares, consumo, política, guerra e manipulação. 

A música que abre do disco é The Train, a faixa é toda "riffada", cheia de back vocal's já dando uma boa mostra da influência que o grupo sofre de Belvedere. A segunda canção Fission and Fusion, já traz como principal característica uma bateria nervosa, rápida e cheia de viradas. 

Nutricide traz alguns vocais rasgados, gritos, alguns back vocal's metalcore, e mantém a levada do instrumental. Dance Of Electronic Images traz ótimos riff's e uma levada até certo ponto "skate punk",  tem um ótimo solo de guitarra. 

Cyberwar III mostra de forma nítida a bela sincronia entre as guitarras, alguns efeitos diferenciados do restante das músicas e um tema atual na letra, o poder da Internet na divulgação das mais diferentes informações e os "transtornos" que isto pode causar para alguns. 

Angels H.A.A.R.P.  tem uma grande introdução, e muitas partes cantadas com vocal rasgado. Chega a lembrar em alguns pontos alguma música do Rise Against. O baixo fica bem a mostra nessa música. 

Retreated tem a introdução mais melódica e calma do cd. A música toda oscila entre momentos de calmaria e peso no instrumental, os vocais também são os mais melódicos do disco. Option To Repression volta à velocidade, e técnica que permeiam todo o trabalho. 

Rosebud traz uma cadência, começa na mesma levada das anteriores, mas termina com vozes e palmas, além dos últimos acordes de violão em um tom viajante. 

New world broadcast encerra o álbum retornando ao peso e velocidade inicial, segurando a onda de todo o trabalho. Alguns se questionam se a música que deveria encerrar não seria Rosebud, pelo seu final melódico e até certo ponto, melancólico, mas justamente por esta característica acho que ela ficou bem no seu lugar. 

Como resultado final a banda mostra que avançou muito nestes três anos de estrada, consegue mostrar suas influências sem soar tanto um cover, consegue também variar nas músicas sem se deixar ficar repetitiva, e faz boas letras com temáticas atuais. Um bom álbum, digno de recomendação. 





Bullet Bane | New World Broadcast
Lançamento: Novembro 2011
Origem: São Paulo
Estilo: Punk Rock / Hardcore
Para quem gosta de: NOFX, Belvedere, Rise Against

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