29 fevereiro 2012


Arte de Daniel Araújo. Clique aqui para ver outros trabalhos do designer.



O interesse pela música independente nacional vem crescendo muito desde a metade da última década. De 2008 pra cá, blogs que se dedicavam exclusivamente à divulgação da música indie e alternativa gringa, passaram aos poucos a dar algum espaço à cena nacional e apoiar nossos artistas. Nesse período, surgiu o grande Hominis Canidae, com seu acervo incrível de downloads do underground nacional, assim como o Rock In Press, uma das melhores fontes de notícias sobre o indie BR. O FUGA mesmo já nasceu com os dois pés fincados em Natal/RN, mas sempre mantendo como limite a própria internet.

Apesar de todo esse otimismo, o acesso à produção nacional continuou nos parecendo um tanto restrito e limitado a certos selos ou ao conteúdo de 4 ou 5 blogs de grande influência. Pensando nisso e no bom momento do indie nacional, o FUGA achou que talvez tivesse chegado a hora de encampar um projeto que desviasse de toda essa centralização e juntasse a produção nacional como um todo, dando espaço também àquela parte da produção que parecia dispersa.

Tomando como base o fantástico Music Alliance Pact, projeto que agrega blogs de mais de 40 países em uma coletânea mensal, juntamos alguns dos blogs fundamentais da nossa mídia alternativa e criamos o Cena Independente. Cada um deles ficou responsável pela produção de um estado – uma representação mesmo que simbólica, afinal a maioria dos blogs não possui um caráter local e tem membros espalhados por diversos lugares do país. Cada um com direito a uma indicação, a ideia é juntar o que há de mais novo e relevante na música independente de seus estados em uma mixtape publicada sempre no último dia de cada mês. Para aumentar o alcance do projeto, a coletânea é repercutida em cada site parceiro.

Desde o piloto em janeiro, 12 blogs fazem parte do projeto. Para nos ajudar a chegar aos 27 desejados, você pode indicar blogs dos estados ausentes na lista abaixo, enviando um email para mixtape.cenaindependente@gmail.com

Como seria natural, o FUGA ficou responsável pela produção do Rio Grande do Norte. Nesta segunda edição, escolhemos uma das favoritas da casa:

RIO GRANDE DO NORTE: FUGA Underground
Calistoga – Happy Tool
rock alternativo/progressivo
O Calistoga nasceu há 7 anos em meio à pequena cena hardcore de Natal. Mesmo naquela época a banda já atraia alguma atenção pelas referências diferenciadas que orientavam sua sonoridade, sendo influenciados desde Fugazi ao At The Drive-In. Com tempo e experiência técnica, a banda foi se desapegando aos poucos daquele pós-hardcore forte e pungente, partindo para uma sonoridade cada vez mais sofisticada. “Happy Tool”, faixa de “Time and Understanding”, sintetiza esse novo momento banda.
Para quem gosta de: The Mars Volta, Queens of the Stone Age, Fugazi

Caso queira saber um pouco mais sobre o Calistoga, veja os comentários banda sobre a produção de Time and Understanding no Faixa-a-Faixa, programa do canal do FUGA no Youtube.

Ouça a mixtape completa e saiba mais sobre as bandas:
Baixe a mixtape completa

ALAGOAS: Sirva-se
Projeto Sonho – Aurora
post-rock
A Projeto Sonho é uma banda que vem aos poucos consolidando sua caminhada, nessa pegada os caras lançaram recentemente o seu primeiro EP, “Estação”. Esse material vem sendo muito bem recebido e já alcançou ótimos resultados. O disco é concebido todo em torno de um mesmo tema, e as músicas se complementam formando uma sequência devidamente encaixada, que por vezes parece ser uma faixa só. Um post-rock muito bem tocado e encontrado, que inclusive vem chamando a atenção até da mídia gringa. O destaque fica por conta de “Aurora” que encerra o EP apresentando a foça do som da Projeto Sonho.
Para quem gosta de: Explosions In The Sky, Labirinto, Mogwai

SÃO PAULO: Move That Jukebox
Márcio R. – I Love Us
indie/pop
Cantando temas triviais, Márcio R. começa com pé direito sua empreitada musical. Com seu First EP em mãos, o músico é promessa das boas – e as duas faixas que abrem a estréia fonográfica dizem o mesmo. “On The Road” - com teclados e levada cadenciada à la Ben Folds - e “I Love Us” – que exala uma singela sensibilidade pop envolta a palmas e “tchururus” – mostram um belo cartão de visitas. Completam o disquinho a quase roqueira “Little Son”, “Hey Mama” e a baladinha folk “Listen My New Song”.
Pra quem gosta de: Ben Folds, Rosie and Me, Belle & Sebastian

RIO DE JANEIRO: RockinPress
The Burk Band - Little More
folk
A união entre os sentimentos de dois amigos sempre resultará na sinceridade. Com base nessa constante sentimental é que nasceu os trabalhos da The Burk Band. O duo já se separou e se juntou algumas vezes e nem por conta disso sua música deixa de correr, principalmente em países europeus, como mostra o Soundcloud oficial. Em “Little More” e em qualquer outra faixa é complicado apontar uma referencia direta, mas pode-se citar toques de um folk mais pop, bem mais digestivo e agradável que o normal.
Para quem gosta de ouvir: Oasis acústico, Jeff Buckley, The Swell Season

PARANÁ: Defenestrando
Rosie and Me - Home (Intro) feat. Joshua Thomas
indie-folk
Em 2010, a banda curitibana Rosie and Me fez barulho pela internet com o lançamento do EP “Bird and Whale”. Entre algumas das proezas do disco, a música “Bonfires” foi parar em uma propaganda da Claro e “Darkest House” foi trilha sonora de um dos episódios da série One Tree Hill. Nas primeiras semanas de 2012, o grupo liderado por Rosanne Machado lançou seu primeiro álbum inteiro: “Arrow of my Ways”, gravado em um estúdio caseiro, traz músicas profundas, tocantes e sentimentais. “Home (Intro)” tem a participação especial de Joshua Thomas e é a faixa de abertura do disco.
Para quem gosta de: Mumford & Sons, Band of Horses, Bon Iver

PERNAMBUCO: AltNewspapper
Homem do Mato – Better Days
reggae/dub/pop
A Homem do Mato é uma reggae music band pernambucana, criada no ano de 2009, mas que só lançou o seu primeiro EP homônimo no final do ano de 2011. O Álbum conta com 4 canções de autoria própria e um presente do poeta e compositor Ermirio Barros. A maioria das músicas fala sobre a filosofia reggae de vibrações positivas, sobre a liberdade e a natureza, tudo feito com uma sonoridade muito bem amarrada e suave. Uma delas inclusive é uma critica social a cidade do Recife, tudo dentro do esquema positivo! A música escolhida também traz esta vibe positiva, "Better Days" parece uma oração referencial a Bob Marley e tratando da filosofia Rastafari, pedindo a ajuda e força de Jah, versando sobre dias em harmonia e paz, mas sem esquecer que "Every loving life is a real sacrifice".
Para quem gosta de: reggae e dub

ESPÍRITO SANTO: Ignes Elevanium
Zémaria – Instant Lover
electro rock/pop/synthpop
A capixaba Zémaria entrou para o universo dos grandes lançamentos nacionais de 2009 com seu “The Space Ahead”, disco pop de música eletrônica com vocais femininos, pegada rock e tipo exportação. Ela é muito mais reconhecida na Europa que por aqui e o principal motivo pode se resumir a forte atração dos europeus por este gênero que, ao contrário daqui, investem muito em eventos. “Instant Lover” é a demo do que virá a ser o novo single, que integrará seu próximo disco, quarto em sua carreira.
Para quem gosta de: Boss in Drama, Cansei de Ser Sexy, Copacabana Club

BAHIA: El Cabong
Hessel - Double Dragon
rock instrumental
A Bahia já está quase criando uma escola de bandas instrumentais de rock. Retrofoguetes, Vendo 147, Tentrio e agora a Hessel. A banda, na verdade, nem é nova, surgiu no início dos anos 2000, mas estava parada e há três anos retomou as atividades. No final de 2011 lançou um EP pela Torto Fono Gramas e voltou a fazer shows. É rock puro e visceral, com peso e sem virtuosismo, mas também sem se prender a um rótulo fácil e limitado. O power trio passeia por universos diversos do rock: indie, kraut e death metal.
Para quem gosta de: Led Zeppelin, King Crimson, Can, Macaco Bong, Pink Floyd

MINAS GERAIS: Meio Desligado
oscilloID - Minerva
eletrônica experimental/IDM
Oriundo do violão erudito, o belo-horizontino Lucas Miranda explora em seu projeto oscilloID as possibilidades da música eletroacústica, flertando notadamente com a IDM. "Minerva" é uma faixa lançada em 2011 e que sintetiza os atuais experimentos do artista.
Pra quem gosta de: Flying Lotus, Four Tet, Boards of Canada

PARAÍBA: Atividade FM
Monstro - Biquíni de Oncinha
instrumental/rock'n'roll/ritmos nordestinos
Formada em 2004 pela amizade de quatro amigos, a banda baseia todo seu repertório em jam sessions, desconstruindo sonoridades e moldes, mas sempre pesando o pé no rock'n'roll. Psicodelismos e ritmos nordestinos confabulam e misturam-se a outros estilos, e tudo isso dá origem a algo completamente inédito, mas muito bem feito. Uma das bandas que mais merece reconhecimento na Paraíba, por vezes até se comparando a renomada Cabruêra, porém com estilo próprio.
Pra quem gosta de: A Banda de Joseph Tourton, Harmada, My Bloody Valentine

MATO GROSSO: Factóide
Serramadre - Instinto
rock alternativo
A Serramadre é uma das bandas mais novas de Cuiabá e já tem mostrado qualidade, motivação e é bastante prolifica (como se pode observar no seu interessante soundcloud). O nome da banda é inspirado no filme "The Treasure of the Sierra Madre", de John Huston. Para segunda participação cuiabana na mixtape Cena Independente, o Serramadre oferece a inédita canção "Instinto".
Para quem gosta de: Fall of Troy, Incubus, Mars Volta

Sérgio Barros – Dorme Bem
MPB
Sérgio Barros é um cearense que já virou um cidadão roraimense depois de tantos anos de dedicação a música do estado mais ao norte do Brasil. Em seu segundo CD "Precioso Bem" lançado no começo de 2012 Sergio destaca seu apurado lado de arranjador musical junto com suas influências musicais como jazz, blues e música popular brasileira. Sérgio Barros representa a consagrada safra de ótimos músicos do estado de Roraima.
Pra quem gosta de: Caetano Veloso, Djavan, Chico Buarque


20 fevereiro 2012


Talvez o fun. e o Mika sejam as maiores crias do Queen. Ambos prezam pelos agudos e arranjos grandiosos - não sei qual o critério para utilizar o rótulo de "theatric rock", mas seria uma boa definição para a banda. Eu sofri como uma mãe pro fun. sair dessas amarras e, com o hit We Are Young, veio a luz no fim do túnel.

Era uma miragem. O primeiro álbum da banda, Aim and Ignite (2008), soa algo bem próximo do que o Freddie Mercury estaria fazendo se ainda vivo; tem até aquele backing vocal coral de igreja - vide At Least I'm Not As Sad (As I Used To Be). E a fórmula se repete já na introdução do novo álbum, a sequência Some Nights (Intro) e Some Nights tem a missão de cativar o ouvinte desde o início e animá-lo, sob esse aspecto não falha.



Some Nights (2012) é divertido, mas não inova (é o "bonitinha, mas ordinária" da música). We Are Young é incontestável o grande hit da banda, prova de que o fun. sabe entreter. O problema é que o restante do disco não adiciona em muito o repertório do fun.; Why Am I the One entraria facilmente no tracklist de Aim and Ignite.

Não que seja um desperdício - All Alone faz uma mistura competente de hip-hop e rock - mas a banda mirou mais alto. O fun. escoltou Jeff Bhasker para a produção justamente por ser um dos responsáveis pelo My Beautiful Dark Twisted Fantasy (2010) do Kanye West. Stars, inclusive, lembra tanto em ritmo como utiliza da mesma distorção vocal de Lost in the World.

Some Nights (2012) é aquele trailer de filme que empolga, mas acaba sendo um dos filmes novos do Tom Hanks. E pensar que o exagero no instrumental, a grande aposta do grupo, atrapalhou tanto que compensaria mais o grupo seguir a linha versão acústica de We Are Young; que supera, e muito, a confusão da melodia em All Alright, por exemplo.

Some Nights, fun.
Lançamento: 21 de Fevereiro de 2012
Origem: New York, EUA
Estilo: Indie Pop
Selo: Fueled by Ramen
Para quem gosta de: Queen, Gym Class Heroes, Mika, Panic! At The Disco

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16 fevereiro 2012


Sou suspeito pra falar qualquer coisa relacionada ao Alkaline Trio (vide last.fm), mas tenho plena convicção de que os elogios são méritos dos caras, nesse caso, mais especificamente do guitarrista e vocalista Matt Skibba.

Se você não sabe do que eu estou falando, o Alkaline Trio é uma das melhores, se não A melhor banda de pop punk que a América já viu (tendencioso, eu?) desde a sua formação, em 1996. Além de lançar 8 discos com a banda - o último de versões acústicas no ano passado, com direito a votação de músicas pelos fãs, faixa inédita e tudo - o guitarrista, cantor e compositor Matthew Thomas Skiba foi membro de diversas outras bandas e projetos paralelos. O mais recente chama-se the HELL, e conta com a participação do baterista do Angels & Airwaves, Tom Willard.

No último domingo, dia 12, o the HELL lançou o seu primeiro EP, entitulado Sauve Les Requins. Com 4 faixas, o EP não mostra nada realmente novo, se você conhece bem o Alkaline Trio. As músicas trazem uma sonoridade herdada por Matt Skiba, com letras agressivas e psicóticas, lembrando muito as faixas mais pesadas do Crimson ou This Addiction. Também não há o segundo vocal rouco e melódico do Dan Adriano, nem a bateria ritimada do Derek Grant. No seu lugar, Tom Willard faz um trabalho competente, mixando o melhor do Alkaline e do Angels e mantendo o nível de "excitante" nas composições.


Um ótimo preview do que esses caras são capazes juntos, imperdível pra quem gosta do gênero.

the HELL - Sauve Les Requins
Lançamento: 12 de Fevereiro de 2012
Origem: EUA
Estilo: Punk Rock / Pop Punk
Pra quem gosta: Alkaline Trio, Face to Face

Facebook - Last.fm

15 fevereiro 2012


If You Leave foi a primeira música que ouvi do Nada Surf. Tinha 17 anos na época e estava assistindo The O.C., a série que me apresentou Death Cab for Cutie, The Shins, Interpol e mais um tanto de bandas que gosto e ouço até hoje. Ouvi If You Leave em loop durante uns bons meses. A série acabou, mas os discos do Nada Surf continuam girando na minha vitrola.

The Stars Are Indifferent to Astronomy é o sétimo álbum de estúdio e sexto de músicas inéditas da banda -- o penúltimo é uma (excelente) coletânea de covers. Não há nada de novo: baixo, bateria, guitarra e a voz adolescente inconfundível de Matthew Caws. É mais do mesmo, e mais do mesmo pode ser bom.

Clear Eye Clouded Mind abre o disco com um punch cheio de energia, dando uma ideia de como ele seguirá. Jules and Jim, faixa 4, é aquela música gracinha -- e chiclete -- que você vai assoviar o dia todo com gosto. Teenage Dreams é nostalgia pura, simples e bonita.

Mas o ponto alto do disco fica ali pelo finalzinho, com a quase balada Let the Fight Do the Fighting, momento mais inspirado de Matthew Caws. Letra bacana e arranjos tristonhos, feitos assim mesmo, com o baixo, a guitarra e a bateria. E, dessa vez, instrumentos de sopro.


Nada Surf continua como sempre foi. Não estoura nas paradas, não se dá a experimentalismos e não cede aos apelos de mercado. Continua agradando aos fãs fiéis e -- clichezão agora -- em time que está ganhando não se mexe.

Nada Surf - The Stars Are Indifferent to Astronomy
Lançamento: Janeiro de 2012
Origem: Nova York, EUA
Estilo: Indie Rock / Low-fi
Pra quem gosta de: Death Cab for Cutie, Rogue Wave, Matt Pond PA, Telekinesis

08 fevereiro 2012



Depois de 3 EPs e 2 compactos em sete anos de atividades, o Calistoga se viu pronto para lançar seu primeiro álbum. Menos pós-hardcore que progressivo, Time and Understanding consolida e dá um passo à frente na sonoridade dada a estranhezas e riffs bem trabalhados, cheio de efeitos, já iniciada no EP Still Normal de 2008 e tão desejada pelos integrantes desde o começo da banda.

Sendo uma das favoritas da casa, o FUGA não poderia perder a oportunidade de convidar a banda para estrear um novo programa de seu canal no Youtube. No Faixa-a-Faixa, o Calistoga fala sobre todo o processo de criação de Time and Understanding, comentando detalhes das histórias e curiosidades por trás de cada música.








 
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