31 março 2012



O Cena Independente é um projeto baseado no Music Alliance Pact. Nele blogs nacionais especializados juntam o que há de mais novo e relevante na música independente de seus estados em uma coletânea mensal, publicada sempre no último dia de cada mês. Nesta terceira edição, com arte de Marcelo Santiago do blog Meio Desligado, o FUGA Underground, responsável pela produção do RN, destaca o som denso e áspero do duo mossoroense The Red Boots.



RIO GRANDE DO NORTE: FUGA Underground
rock alternativo/thrash metal/desert rock
The Red Boots – Suicide
Para quem gosta de: Metallica, Sonic Youth, Motörhead

A banda lançou seu álbum de estreia, Aracnophilia, no final de fevereiro pelo Projeto Incubadora do DoSol Netlabel. Com uma sonoridade e um peso que contrastam com a formação simples de um duo de guitarra e bateria, e usando de forma inteligente referências das mais diversas dentro do rock e do metal, a banda mossoroense criou um disco cheio de personalidade. Ecos de Metallica, Sonic Youth e Motörhead podem ser sentidos em Suicide, uma das faixas que dão a tônica do álbum.

Segue a mixtape completa desta mês:


Clique aqui para baixar a mixtape

Saiba mais sobre cada faixa:

RIO DE JANEIRO: RockinPress
Mahmundi – Desaguar
chillwave/indie
Mahmundi é o projeto onde Marcela Vale se descreve em cores variadas, deixando aflorar seus sentimentos e de forma bonita, quase juvenil. Ouvir letras tão afogadas no amor e ao mesmo tempo destoadas por um instrumental dançante, com um timbre próprio e envolvente, fazem a música de Mahmundi ser ainda mais plural, mais contagiante. É fácil se encontrar dentro das canções do seu primeiro EP, Efeito das Cores – seja dentro de uma pista de dança ou feliz ao encontrar um amor. Afinal, a música nasceu para demonstrar sentimentos e com essa magia, Marcela sabe se expor.
Para quem gosta de: Toro Y Moi, El Guincho, Tulipa Ruiz
Mais de Mahmundi no SoundCloud

PARANÁ: Defenestrando
Naked Girls and Aeroplanes – K.A.C.C. (Rough Love)
folk/fofura
Formado por Rodrigo Lemos (d’A Banda Mais Bonita da Cidade e Lemoskine), Artur Roman e Wonder Bettin (ambos do Sabonetes), o Naked Girls and Aeroplanes é um desses grupos que combinam fofura e acordes que soem da melhor forma possível para chegar em algum ponto profundo e sentimental. Na música K.A.C.C. (Rough Love), o trio parece misturar inocência e sensualidade a partir de arranjos vocais cuidadosamente planejados. A faixa está no EP de estreia da banda, lançado em fevereiro deste ano.
Para quem gosta de: Florence + The Machine, Cícero, Rosie and Me
Mais de Naked Girls and Aeroplanes no SoundCloud

SÃO PAULO: Move That Jukebox
Some Community – Head and Tail
indie/dream/pop
A bateria quase marcial marca os primeiros segundos do novo single dos paulistanos do Some Community. O baixo e o backing vocal do ex-Volantes Bernard Simon também são destaques nessa nova fase da banda - que volta em 2012 com EP novinho e shows recentes no Sxsw no currículo. Head and Tail, que já ganhou até um belíssimo vídeo, é cheia de climas etéreos, guitarras agudas e oníricas e teclados vibrantes com melodias singelas. A doce voz de Juliana Vacaro é a cereja do bolo. E em 5 minutos, o Some Community mostra que muita coisa mudou – pra melhor – desde RinoRino, EP debut da banda, de 2010.
Para quem gosta de: Warpaint, Cambriana, Local Natives
Mais de Some Community no Bandcamp

PERNAMBUCO: AltNewspapper
Daniel Araújo – Estero Bla
ambient/experimental/instrumental/lo-fi
Daniel Araújo, artista responsável pela “cara” da Cena Independente #2, retorna nesta edição agradando desta vez aos ouvidos. Neste mês o músico lançou seu primeiro registro solo, todo feito em casa e seguindo a verve instrumental característica dele em suas bandas. O álbum se chama De Dentro do Ser e a faixa escolhida é a bela Estero Bla, uma sobreposição de camadas dançantes bem agradáveis. O jogo de letras que dá nome a música deixa claro a principal influência da mesma, decifre o mistério ouvindo...
Para quem gosta de: Hurtmold, Tortoise, Monodecks
Mais de Daniel Araújo no SoundCloud

MINAS GERAIS: Meio Desligado
Psilosamples – Olho de Cabra
eletrônica experimental/IDM
Por vezes soando como uma "IDM tropical", as músicas do Psilosamples utilizam samples, timbres vintage e ritmos quebrados de forma lo-fi e experimental. Oriundo do interior de MG, o Psilosamples tem crescido no circuito eletrônico alternativo, como sua presença no importante festival Sonar (em suas edições brasileira e espanhola) prova.
Para quem gosta de: Daedelus, Girl Talk, Squarepusher
Mais de Psilosamples no site oficial

BAHIA: El Cabong
Opanijé – Se Diz
rap/hip hop
O rap baiano poucas vezes ultrapassou as fronteiras do estado. Quem promete mudar isso é o Opanijé, grupo formado em 2005 e com o primeiro disco prestes a ser lançado. Dois MCs e um DJ unindo elementos clássicos do rap - samples bem sacados, batidas e crítica social - com ritmos afro-baianos, cânticos do candomblé, percussão e uma criatividade que às vezes entorta o ideal rapper.
Para quem gosta de: Racionais MC's, Beastie Boys, Tincoãs
Mais de Opanijé no Myspace

MATO GROSSO: Factóide
Macaco Bong – Japabugre
rock instrumental
O EP Verdão e Verdinho  possui uma grande simbologia, já que foi o primeiro material gravado depois que o Macaco Bong se mudou de Cuiabá, mas tem a influência forte da viola pantaneira. Eles não sabiam, mas também foi o último registro de estúdio com Ney Hugo, da formação clássica do Macaco, que deixou a banda recentemente para dar lugar ao mineiro Gabriel Murilo.
Para quem gosta de: Mogwai e Slint
Mais de Macaco Bong no TNB

ESPÍRITO SANTO: Ignes Elevanium
Manfredines – Silêncio
rock
Manfredines é uma das mais interessantes bandas capixabas que fazem parte desse novo rock nacional, liderado por bandas como Los Hermanos e Móveis Coloniais de Acaju. Porém, a banda não toma suas influencias diretamente desses nomes, e sim de nomes dos anos 80 como Legião Urbana, Titãs e Paralamas do Sucesso. Conclusão: temos uma sonoridade nova e moderna, mas com a mesma qualidade e profundidade das bandas do passado. Eu diria que influencias inclusive da música internacional como Radiohead figuram evidentes na sonoridade da banda, especialmente no single Silêncio, lançado em 2011, que é um excelente exemplo do som dos caras. A banda está pra lançar novo material em 2012, e como são uma banda totalmente independente, não tem muitas datas fixas, mas acredito eu que podemos aguardar um novo trabalho para este ano. Excelente banda mesmo, recomendadíssima!
Para quem gosta de: Radiohead, Los Hermanos, Titãs
Mais de Manfredines no SoundCloud

PARAÍBA: Atividade FM
Johnny – BLEFE
indie rock/garage rock
Johnny é uma banda estreante no rock paraibano que começou a ganhar certa fama divulgando alguns singles avulsamente com qualidade. A banda é formada apenas por Gabriel Romio e Leon Guimarães que gravam as músicas sozinhas num estúdio, mas, que nas  suas apresentações contam com músicos de apoio. É perceptível uma grande influências de bandas britânicas de indie rock, como aquele Arctic Monkeys no início, principalmente nas letras que falam sobre relacionamentos e suas guitarras rápidas e dançantes.
Para quem gosta de: Vivendo do Ócio e Selvagens à Procura da Lei
Mais de Johnny no SoundCloud

AMAPÁ: Som Independente
Godzilla – Insolação
punk
A banda Godzilla vem do Estado do Amapá - especificamente do município de Santana. Suas conexões psíquicas suprem essa distância com uma leitura atualíssima, sexy, desolada, sagaz e urgente do rock e das relações humanas, como se vivessem em uma megalópole destruída pelo monstro japonês que lhes empresta o nome.
Para quem gosta de: Ramones, Misfits, Sex Pistols
Mais de Godzilla no TNB

ALAGOAS: Sirva-se
Interrompidos - Igual à Minha Vida
rock/MPB/blues
Após uma série de mudanças, a Interrompidos se fortalece entre as bandas alternativas de Alagoas. Com o lançamento recente do EP Interrompidos e do clipe Igual a minha vida a banda que mistura rock and roll, blues e MPB, vai se inserindo em um novo cenário onde já conseguiu o seu destaque. Com nove faixas, o EP simboliza bem a transformação e evolução musical do quarteto. Letras mais introspectivas e reflexivas junto a um instrumental equilibrado são o ponto alto da banda. O destaque da vez vai pra música que dá nome ao primeiro clipe da banda.
Para quem gosta de: Made In Brazil, Secos e Molhados, Mutantes
Mais de Interrompidos no TNB

Tem um blog e deseja fazer parte do projeto? Entre em contato:
mixtape.cenaindependente@gmail.com

ADVERTÊNCIA: Este material não deve ser comercializado. Ele foi produzido com fins estritamente promocionais.

28 março 2012


Nunca cheguei a ser fã de Sonic Youth. Gostava de uma música ou outra e, pra ser sincera, não fui atrás de muito material. Mas, que é inquestionável que a banda teve e tem um grande papel na construção do cenário indie durante as últimas três décadas, é.

Aí que, recentemente, os protagonistas e casal vinte Thurston Moore e Kim Gordon anunciam que vão se divorciar -- para desespero dos fãs, que temem pelo núcleo criativo. Apesar do fuss (ou aproveitando-o, talvez), o guitarrista e co-fundador da banda Lee Ranaldo decidiu que era o momento exato para lançar um disco solo, de dez canções, semana passada.

E senhores, que disco. Com o apoio de uma banda respeitável -- Nels Cline do Wilco, o Sonic Youth Steve Shelley, ex-Sonic Youth Jim O'Rourke, o pianista John Medesky e o guitarrista Alan Licht --, Lee Ranaldo fez mágica.

Li alguém, em algum lugar -- provavelmente no twitter, e desculpem-me pela falta de créditos -- dizendo que esse disco é o que os fãs do REM e do Sonic Youth andavam esperando há anos e nunca foi lançado. Lee Ranaldo se reinventa, traz suas guitarras arrastadas de longa data a melodias novas e bonitas; insere violões; encaixa um vocal simples e sem firulas e faz mágica dentro do seu próprio estilo.

Pontuo aqui que esse não é seu primeiro trabalho solo. Ele vem lançando composições próprias em forma de acústicos e gravações independentes desde o fim dos anos 80, sempre à parte de sua carreira principal no Sonic Youth. Não é o primeiro, mas é definitivamente o mais notável e inspirado.

Preferidas pessoais: a nostálgica Tomorrow Never Comes e a alegre Off the Wall (primeiro single, aliás). Hammer Blows tem uma acústica com tons sombrios que cativa. A faixa de abertura também... Bah, é bom inteiro. Ouçam, vai.



Lee Ranaldo - Between The Times and The Tide
Lançamento: Março de 2012
Origem: EUA
Estilo: Indie Rock / Noise Rock / Experimental / Lo-fi
Pra quem gosta de: Sonic Youth, Dinosaur Jr, Sebadoh, Pavement

26 março 2012




Quando o assunto é música, algumas expressões se consagram, ganham status de "não é você, sou eu" nas resenhas. A gente reclama se a banda produz mais do mesmo ou quando está mais madura - era melhor dizer que a banda ficou chata de uma vez. Há quem classifique qualquer indie rock como mais uma cria dos Strokes ou quem fica em cima do muro esperando a Pitchfork dar o seu veredicto sobre. E, entre os vários clichês, há a maldição do segundo disco.

A maldição do segundo disco é cientificamente comprovada entre os jornalistas da área. Ela atinge principalmente bandas que lançaram um debut surpreendente e não conseguiram superar no álbum seguinte, aconteceu recentemente com o Ting Tings, por exemplo. Tive medo do Miike Snow¹ caísse nessa armadilha do destino, mas não.

Happy To You (2012) reforça as raízes electropop da banda, mas descarta os refrões chicletes e foca em desenvolver uma produção mais detalhada. Se o debut fez sucesso com uma fórmula de melodias contagiantes, como Song For No One e Animal, de lá só restou Paddling Out. Miike Snow decidiu aparar os excessos e saiu das letras rasas.



The Wave é uma boa construção que o trio faz sobre uma cidade bombardeada versus cidadão submisso - "I was a fee for the master / I was a walking disaster" - e tudo isso num clima de coreto com banda militar.  É uma das minhas prediletas. Acompanhada de Vase, embora as onomatopeias incomodem um pouco, é simpática por soar uma grande história de pescador - venha você também curtir uma música sobre desilusão.

Mas ainda resisto em colocar o disco na prateleira dos mais inovadores do ano. God Help This Divorce é aquele parente distante que a gente até esquece que é da família. Bavarian #1 (Say You Will) vira um discurso de mãe repetindo a melodia da já citada The Wave. E nem a participação de Lykke Li salvou Black Tin Box, que soa um James Blake capenga.

Happy To You é uma jogada segura e quem já gostava do electropop da banda não se decepcionará. Mas ainda pesa saber que o Miike Snow poderia fazer melhor.



¹ Ainda que o primeiro álbum do Miike Snow não tenha ganhado mais que sete estrelas pela crítica, ratifico minha opinião de sê-lo surpreendente. Afinal, foi suficiente para a banda vir pro Brasil. E, se veio pra cá, é porque teve demanda e conseguir espaço entre a micareta tem o seu mérito.

Happy To You, Miike Snow
Lançamento: 13 de Março de 2012
Origem: Suécia
Estilo: Electropop, Indie Pop
Selo: Columbia
Para quem gosta de: Friendly Fires, Foster The People, Two Door Cinema Club

21 março 2012


Cidade Cemitério é uma banda formada em 2011, na cidade de Brasília, tem em sua formação Poney (Violator, Ameaça Cigana, Possuído Pelo Cão, Scumbag) na guitarra, Manga (Gracias Por Nada, Vingança) no vocal, July no baixo e Daniel na bateria. Uma curiosidade sobre eles é que nesta banda todos estão tocando instrumentos diferentes dos que tocam habitualmente em suas outras bandas.

O som do grupo é um hardcore/punk ointentista, bem na linha de bandas como Discharge, não objetiva ser algo novo, não no instrumental ou vocal, mas traz em suas músicas a energia dos seus componentes, alguns dos caras mais presentes na cena underground brasileira da atualidade. 


O primeiro trabalho da Cidade Cemitério, intitulado Asa Morte, lançado no inicio deste ano, já mostra bem a linha que a banda segue: músicas rápidas, pesadas, cruas, vocais gritados e letras críticas. Neste primeiro registro os caras não pouparam críticas à cidade natal da banda, as letras são todas calcadas na forma como Brasília foi projetada, para ser uma cidade modelo, mas que no final excluiu da sociedade as próprias pessoas que a fizeram uma realidade.

Entre algumas músicas existem vinhetas, feitas com trechos de reportagens e narrações, que ora falam sobre a beleza e perfeição da cidade modelo, ora mostram o descontentamento de um operário que sairá da cidade “porque essa cidade não foi feita para operários”. 

Um fator a ser analisado é que mesmo sendo um disco voltado para os problemas de uma cidade específica, ao ouvir as músicas é possível reconhecer estes malogros apresentados como comuns a qualquer cidade brasileira, são criticas ao consumismo desenfreado, à violência contra a mulher, que tem muitas vezes que “esconder o seu corpo” sob o risco de ser violentada nas ruas, é o ato de não poder circular de bicicleta livremente sem o medo de ser atropelado, ou a violência contra o homossexual, o mendigo que não pode dormir sossegado nas ruas, o disco é um expurgo a tudo o que existe de errado na sociedade brasiliense, mas que também é encontrado em qualquer cidade do país.


Cidade Cemitério | Asa Morte
Lançamento: Fevereiro 2012
Origem: Brasília, DF 
Estilo: Hardcore / Punk 
Para quem gosta de: Discharge, Robot Wars, The Varukers

Clique para baixar Asa Morte

13 março 2012

The Red Boots no Festival DoSol 2011 - Etapa Mossoró. Foto de divulgação
Com uma formação não muito usual no rock contemporâneo, apenas com guitarra e bateria (e vocais bem nervosos), a banda The Red Boots, duo de Mossoró-RN, lança Aracnophilia, um disco poderoso e consistente que mostra o peso do rock norte-riograndense.

Com mais de seis anos na estrada e já com alguns EP’s lançados, o Red Boots esteve em tour pelo nordeste com o pessoal do Forgotten Boys (SP), divulgando o disco com shows em MossoróNatalFortaleza e João Pessoa.

Gravado pelo Projeto Incubadora, trabalho realizado por Anderson Foca para descobrir bandas pelo RN, o disco mostra um som que passeia por diversas influências do rock e metal.


Aracnophilia é um álbum agressivo, direto e versátil. Com dez canções, o disco tange a sonoridade pesada do trash metal e chega até o rock mais clássico e cru de guitarras e solos oitavados.

As faixas The Last Suicide encarregam-se de apresentar o disco com a porrada inicial e mostram o poder que o duo da guitarra de Luan Rodrigues e a bateria de Gil Holanda atingem. Já saindo da onda mais pesada do metal e ainda mostrando a diversidade do Red Boots, surge a canção Tony`s Joint, uma faixa que parece ter vindo direto dos anos 60, com influências bem notáveis das guitarras e vocais do mestre Hendrix. Roquenrol de qualidade, yeah. Destaque do disco também para a faixa Philos que mostra as varias qualidades da banda, combinando um vocal mais calmo com o som denso da guitarra base e o solo suave e inebriante, bem ao estilo do Muse.

Pra quem curte um som pesado e bem trabalhado, Aracnophilia é um album que não vai deixar a desejar em nenhum aspecto e que mostra que o The Red Boots está pronto e fazendo um som bastante sólido. Vale a pena ser ouvido e com o volume no talo!


The Red Boots - Aracnophilia
Lançamento: 23 de fevereiro de 2012
Origem: Mossoró, Rio Grande do Norte
Estilo: rock alternativo / thrash metal / desert rock
Selo: DoSol Netlabel
Para quem gosta de: Pantera, Metallica e Motörhead 


+ THE RED BOOTS: Myspace - Blog oficial - Fan Page



por Bruno Evangelista

12 março 2012



Em 2007, o Kid Rock lançou um disco que envergonhou os cantores de country rock e, desde então, o ritmo está mais bem escondido que filme pornô de apresentadora infantil. Mas a escuridão passou e, como bem dizia Regina Casé no Fantástico, o ritmo esse ano vem com tudo. E a salvação vem encarnada em bandas como o Father John Misty e Alabama Shakes.

Father John Misty é um projeto paralelo de Joshua Tillman, ex-baterista do Fleet Foxes. Para quem espera do primeiro álbum uma extensão de "White Winter Hymnal" e outros hits da banda de Seattle deixo uma plaquinha de alerta, J. Tilman ao assumir as guitarras e vocais optou por músicas mais calmas.



São relacionamentos acabados, decepções e muito sentimentalismo que caracteriza Fear Fun (2012) como um bom álbum para bebedeiras sofridas em bares. Em “Hollywood Foerever Cemetery Sings”, por exemplo, Fr. John Misty tenta superar a morte de um amigo - aliás, luto é um tema recorrente no disco, aparece também na incrível "Now I'm Learning to Love the War".

Outra composição que merece destaque é “Every Man Needs a Companion”, onde Tillman discorre sobre relacionamento e carência em um arranjo aparentemente simples, mas cativante. O álbum é assim, inclusive as canções mais agitadas, como “Writing a Novel” e “Tee-Pee's 1-12”, que não trazem melodias inovadoras, mas te conquistam na sinceridade. Father John Misty escolheu um som mais cru - ainda mais comparado com o Fleet Foxes e seus múltiplos vocais e instrumentos. Mas é o que os especialistas em moda dizem, com um disco pretinho básico você não erra.

Fear Fun, Father John Misty
Lançamento: 01 de Maio de 2012
Origem: Baltimore, EUA
Estilo: country rock, indie, folk
Selo: Sub Pop
Para quem gosta de: Alabama Shakes, Sharon Van Etten

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11 março 2012


Na semana passada a banda paulista Forgotten Boys esteve em tour pelo Nordeste, a convite do DoSol. O show em Natal foi no dia 03 de Março, mesmo dia em que se apresentaram mais tarde em Recife.

Também fizeram parte da tour as cidades de Mossoró, Fortaleza e João Pessoa. Abrindo pros caras, estiveram presentes no palco do Centro Cultural DoSol as bandas Venice Under Water e The Red Boots

Nós registramos em vídeo o melhor de cada show. Dá uma olhada:

The Red Boots


Uma banda mossoroense de dois homens só, um baterista e um guitarrista also vocalista, capaz de um show incrível, mas que infelizmente não teve muito público. Os caras lançaram seu primeiro disco recentemente, o Aracnophilia, com um arsenal de efeitos no pedal e uma energia de empolgar todos os amantes do rock. Perdeu quem não viu.



Venice Under Water


O show do Venice é sempre bom, isso é fato. Dessa vez, porém, ficou difícil ganhar destaque no meio das duas outras bandas: a apresentação do Red Boots ainda era inédita e o público aguardava o show do Forgotten Boys, que viria logo em seguida. Dentro de um tempo muito curto, o Venice tocou as melhores músicas do disco Friends e mesmo na correria ganhou a atenção de groupies que ficaram na frente do palco cantando junto todas as músicas.



Forgotten Boys


A última vez que veio a Natal, no Festival DoSol de 2008, a formação do Forgotten Boys era outra e a proposta também, como os próprios caras comentaram em entrevista ao DoSol. O show dessa vez foi reflexo dessa nova proposta, com algumas músicas novas e outras já consagradas. A apresentação foi mais legal do que eu esperava, e teve um público provavelmente menor do que deveria - parece que também foi reflexo da nova proposta. Era evidente que os momentos mais contagiantes do show aconteceram durante a execução das músicas mais antigas da setlist. Não faltaram clássicas como Quinta-feira e Cumon, além de algumas das melhores músicas do Stand by the D.A.N.C.E., o melhor álbum do Forgotten (alguém discorda?):  Just Done e Get Load. Esta última fechou o show da melhor maneira possível - com direito a solos de guitarra, brincadeiras com a iluminação e firulas performáticas.



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Não me lembro ao certo quando foi a primeira vez que ouvi uma música do The Cranberries. Pode ter sido num intervalo de ar fresco do mofo musical dos “bregas” que meu pai gosta de escutar ou durante as ensolaradas férias em família, o que realmente importa são as músicas transbordando significados que atingiram várias gerações.Quem não se lembra do clima quimérico de “Dreams”, do noir romântico “Linger” sucesso em rádios do estilo “dor de cotovelo”, ou ainda do protesto contra os conflitos na Irlanda presente em "Zombie"? Entre outras tantas canções da banda que marcaram a história da música mundial.
Após dez anos sem lançar nenhum álbum de estúdio eis que os The Cranberries dão à luz a Roses o sexto disco gravado dois anos depois do retorno da banda em 2009. A primeira impressão de Roses é que ele possui o mesmo clima sonhador/romântico do debut “Everybody Else Is Doing It, So Why Can't We” de 1993 só que mais pungente, diferente da suavidade e falta de lapidação do primeiro disco.

Conduct é faixa com jeito de primeiro single, mas o posto de primeiro ficou apenas na lista do disco, tem uma certa semelhança com When you’re Gone do álbum de 1996 “To The Faithful departed” a diferença aqui está apenas na intensidade, "Conduct" é mais “solar” enquanto When you’re gone é carregada na melancolia. A segunda faixa e escolhida como primeiro single de Roses Tomorrow é enjoativa e carregada em frases que vez ou outra estão em uma música qualquer ( “Tomorrow could be to late” deve ter sido usada em , no mínimo umas 100 músicas).Somada ao clipe gravado na garagem de um dos integrantes(brincadeirinha, viu?) lembrou os piores momentos do último disco antes da “pausa” do grupo o “Wake up and smell the coffee” de 2001.


Uma faixa que também chamou atenção foi "Schizophrenic Playboy" a sexta faixa do disco bem que poderia estar no considerado o melhor disco da banda “No need to argue” de 1994 não se deixe enganar pelos arpejos vocais iniciais de Dolores essa faixa tem a mesma urgência de “Ridiculous Thoughts”, mas não é nenhuma “Zombie”. A oitava faixa "Show me "foi a única do disco disponibilizada para download antes do lançamento possui lindos violinos no arranjo e também tem um ritmo mais pesado.Outra faixa que chamou atenção foi "Astral projection" que tem a combinação perfeita entre vocais sussurrados e contrabaixo bem marcado sem dúvida uma ótima trilha sonora para imagens de surfistas em câmera lenta. A faixa-título e última faixa do cd Roses é fantasmagórica e saudosista e nos faz recordar tempos em que se acendiam isqueiros em vez de telinhas de LCD um belo encerramento para um CD de retorno digno afinal “life is no garden of roses” ...
Baixe Show me










Roses, The Cranberries
Gravadora: Cooking Vinyl
Lançamento: 27 de fevereiro de 2012
Origem:República da Irlanda
Estilo:Pop/Rock/Alternativo/Rock Irlandês/ Folk
Para quem gosta de:Alanis Morissette/Rita Lee/Jefferson airplane/The Jezabels
 
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