31 maio 2012


Arte da designer baiana Silvis

Chegamos à Cena Independente #5 dando um passinho adiante em nosso objetivo de mapear e difundir o melhor da música underground brasileira – esteja ela dentro ou fora do eixo. Já somos 15 blogs representando estados de norte a sul do país, peneirando aquilo que há de mais interessante na produção musical nacional para criar uma das coletâneas mais relevantes da nova música brasileira. Por cada blog um estado, um artista, uma faixa na mixtape. Todo fim de mês, você confere o resultado dessa seleção aqui e em todos os outros blogs parceiros.

Idealizado e organizado pelo FUGA Underground, a Cena Independente vem espalhar a boa música, unir a cena e abrir espaço para quem antes parecia distante até mesmo dos holofotes da mídia alternativa.

Sem esquecer de outros artistas que também contribuem com cena fora dos palcos, todos os meses um blog diferente do projeto escolhe um artista do seu estado para elaborar a capa da edição. Dessa vez, o el Cabong convidou a designer baiana Silvis para criá-la – inclusive, você deveria conhecer os outros trabalhos da moça.

Como representante do Rio Grande do Norte no projeto, o FUGA Underground não podeira deixar de destacar a banda Dusouto nesta quinta edição. Na última semana, o trio lançou seu terceiro e aguardado disco, Cretino!, que pode ser baixado no site oficial da banda. A escolhida para integrar a mixtape foi a romântica Ela Não Sabe Quem Eu Sou, confira:


A Cena Independente #5, no entanto, não vive só de drum ‘n’ bass. A seleção do mês veio tão diversificada – indo do pós-rock ao hard rock, passando pela mpb - que será difícil você não gostar de pelo menos uma das 13 faixas da edição. Ouça e acompanhe cada uma delas pelos detalhes que deixamos sobre cada artista.

Boa audição!


ADVERTÊNCIA: Este material não deve ser comercializado. Ele foi produzido com fins estritamente promocionais.


ESPÍRITO SANTO: Ignes Elevanium
SILVA – 2012
mpb experimental/alternativo
SILVA, de Lúcio da Silva Souza, é o mais novo projeto nacional a causar uma rápida e, o que tudo indica, forte paixão na cena indie. Sua música casa o experimental com a MPB (e vários outros elementos) de tal forma que “alternativo” é a forma mais ampla e preguiçosa de classificar seu som. Para quem não estava neste mundo, SILVA foi um dos destaques nacionais no SÓNAR e, como se não fosse o bastante, SILVA EP é apenas seu primeiro release e ainda independente... Já podemos mimá-lo? Ouça 2012, o novo single.
Para quem gosta de: Marcelo Jeneci e Passo Torto



RIO DE JANEIRO: RockinPress
Letto - Aeroporto de Pipas
chilliwave/downtempo
Letto é um carioca de música calma, ensolarada e divertida. Gosta de misturar climas com a MPB, brincando com palavras e significados e envolvendo o ouvinte com sua voz bonita e suave. O músico encontra-se trabalhando em gravação do seu terceiro trabalho, mas antes que chegue aos nossos ouvidos, conheça o single do álbum “Fotografia das Falas”, lançado em 2011. A faixa “Aeroporto de Pipas” é um bom exemplo da mistura bonita que Letto gosta de propor. Ouça para ensolarar tardes e embalar noites.
Para quem gosta de: Tono, Domenico Lancelotte, Vinícius Castro



MINAS GERAIS: Meio Desligado
Bruno Fleming - Bebé e Zé Canarinho
indie/folk/lo-fi
"Semente de romã, bigode de leite" é o ambicioso projeto de Bruno Fleming, artista da cidade de Ouro Fino, no interior de Minas Gerais. Trata-se de uma "ópera rock indie-folk" dividida em oito volumes que formam uma única estória. Nos primeiros volumes já lançados, o trabalho soa como uma música infantil bizarra carregada de nostalgia, clima caseiro e lo-fi. Uma das melhores novidades a surgir nos últimos tempos em MG.
Para quem gosta de: Beirut, Cícero, Marcelo Camelo



SÃO PAULO: Move That Jukebox
Onagra Claudique – Mais Cinco Minutos
folk/indie/pop
A dupla Onagra Claudique não economiza lirismo e boas intenções em seu EP de estreia. “A Hora e a Vez de Onagra Claudique”, em uma dúzia de minutos, emociona e aquece mais a alma do que a maioria dos discos cheios lançados por aí. “Umwelt”, que remete a “Toxic Girl”, do Kings of Convenience, e “Mais Cinco Minutos” deixariam a dupla norueguesa se mordendo de inveja. Já “Papo Lampinho” é uma marchinha indie deliciosa, que fecha, num clima good-vibe-total, um dos EPs mais surpreendentes do ano.
Para quem gosta de: Kings of Convenience, Cícero, Do Amor



RIO GRANDE DO NORTE: FUGA Underground
Dusouto – Ela Não Sabe Quem Eu Sou
drum ‘n’ bass/samba
Quase três anos depois de “Malokero High Society”, o Dusouto pôs na rua seu terceiro disco, o aguardadíssimo “Cretino!”. A banda que mais toca na cidade de Natal voltou com sua mistura festiva e descontraída de samba, drum’n’bass e ragga naquele que deve ser seu álbum mais rico em timbres e instrumentação, como já anunciava o elogiado clipe da música que dá nome ao disco. Mais orgânico, também vem cheio de romantismo. “Ela Não Sabe Quem Eu Sou” não deixa mentir.
Para quem gosta de: Mundo Livre S/A



MATO GROSSO: Factóide!
Rirous - Coca Cola e Você
pop rock
O Rirous é uma banda bem nova em Cuiabá, que não faz parte dos tradicionais circuitos indies da cidade, mas que tem ganho admiradores na internet com seu som leve, bem produzido e sem medo de ser pop.
Para quem gosta de: Soulstripper e Jack Johnson



PERNAMBUCO: AltNewspaper
Rimocrata - Últimas Noticiais 
rap/hip hop/free style
Vi uma apresentação do Rimocrata esse mês aqui no Recife, o cara era uma das atrações de uma noite que seria finalizada pelo Criolo e Dj, mandando músicas da fase rap do cara. Mesmo com isso, o que mais chamou minha atenção naquela noite foi o (até então) pouco conhecido por mim, Rimocrata. A música mais legal do cara pra mim é "Últimas Noticias". Tem uma base que começa numa espécie de viola e uma letra ácida e inteligente, é um tapa na cara repetitivo, com diversas reais do mundo e do nordeste. Já que o ritmo do Brasil agora é esse, conheçam o novo rap madeinpernambuco...
Para quem gosta de: Emicida, Racionais Mc, Faces do Subúrbio



BAHIA: el Cabong
Cascadura - Uma Lenda do Fogo
rock
Nos 20 anos de banda, a veterana Cascadura mostra que ainda tem o que mostrar. No novo álbum, "Aleluia", um disco duplo, a banda apresenta um trabalho conceitual falando sobre Salvador, suas riquezas, seus problemas, seus personagens, sua história. O trabalho traz o rock que marcou o grupo, mas traz novos elementos inseridos em sua sonoridade e que combinam com a proposta do disco. Guitarras dialogando com percussão e pontos de candomblé, sopros, piano e diversas participações especiais. De Pitty e Beto Bruno a Siba e a Orkestra Rumpilezz, sem falar num quase completo quem é quem do rock baiano.
Para quem gosta de: Rolling Stones ("Beggars Banquet") e Grand Funk Railroad



Girliehell – Walk Away
garagem/hard house/rock
Um chute na ‘mulêra’! É mais ou menos isso o que você vai sentir quanto ouvir a música 'Struggle', uma das músicas do primeiro CD das meninas da Girliehell “Get Hard!", lançado no início de 2012 pelo selo Monstros Discos. Apesar de Struggle ser a música que mais gosto, a nossa indicação é a música “Walk Away” que é a música de trabalho da banda. Destaque também, para as músicas “Girlie’s Night” e ”Fire” que também estão para download no site oficial.
Para quem gosta de: The Donnas



PARAÍBA: Atividade FM
Hazamat - Música: Astrolábios
rock progressivo regional brasileiro nordestino
Quantas mudanças podem acontecer numa banda com 4 anos de carreira? Para a Hazamat, aconteceram muitas, algumas decisivas para o papel da banda no cenário independente musical de hoje. Formada por quatro paraibanos que não negam suas raízes - Diogo Egypto (Baixo/Vocal), Pedro Guimarães (Guitarra/Backing Vocal), João Araújo (Guitarra/Vocal), Pedro Araújo (Bateria) - a banda, que já se chamou Molestrike, hoje aposta em sonoridades e conceitos diferentes, mais focados em fazer seu papel na cultura do Nordeste e, claro, com o objetivo de crescer e evoluir como banda. Sem tirar o pé do passado mezzo metaleiro mezzo rock'n'roll, que era o que formava a base musical do Molestrike, a Hazamat se inspira em reproduções musicais do querido nordeste, mas que não tomam o lugar das grandes viradas de bateria e solos de guitarra. As letras também não deixa escapar esta influência nordestina tão forte. Por isso, contam causos e histórias do sertanejo, às vezes buscando na época dos escravos um bonito romance, mas sem deixar de lado a pegada forte e roqueira ainda muito presente sonoridade na banda.
Para quem gosta de: Seu Zé, Madame Saatan, The Baggios



ALAGOAS: Sirva-se
Tequilla Bomb – Se Acabó La Tequila
dub/drum'n'bass/experimental
Tequilla Bomb é um duo de músicos maceioenses que compartilham da mesma inquietação musical, são ativos em bandas e agora caem de cabeça nesse novo projeto. Uma banda que inova por aqui, trazendo uma sonoridade diferenciada para a cidade através de uma mescla certeira de elementos da música jamaicana e ritmos eletrônicos como: drums and bass, jungle e dubstep. “Se Acabó La Tequila” é uma música dançante, com uma batida intensa e cheia de efeitos.
Para quem gosta de: Asian Dub Foundation, Dub Mafia, DJMarky



PARANÁ: Defenestrando
Locomotiva Duben - Agradecer e Respirar
reggaedubrasilidade
Um pouco de reggae, um pouquinho de dub e um bom tanto de brasilidade: no meio dessa mistura está a Locomotiva Duben. Depois de ter sido uma das vencedoras do Kaiser Sound 2011 (um importante concurso de grupos locais), a banda ganhou o direito a gravar cinco músicas em estúdio. Mais tarde, a Locomotiva usou do crowdfunding para gravar outras cinco músicas. Com dez canções prontas na mão, os caras lançam "Mundo é Labirinto", o álbum de estreia da banda. "Agradecer e Respirar" é o primeiro single do disco.
Para quem gosta de: Tim Maia, Jorge Bem, "Santeria" do Sublime



MARANHÃO: Shock Review
F. Spotti – Cabra da Peste
rap/rock/soul
F.Spotti é um rapper que foge do estereótipo do rap. Ele não se contenta em meter o pau no sistema em cima de uma base repetitiva. Pelo contrário: procura falar sobre tudo em suas letras em produções variadas e harmônicas, onde o som do DJ se mistura aos arranjos fortes da guitarra e o groovie orgânico da cozinha. Ao vivo ele divide o palco com Adnon Soares na guitarra, Rafael Cunha no baixo, Luciano Ricardo na batera e DJ NattyDread nas pick-ups. Na faixa “Cabra da Peste”, esse paulistano que já se considera ludovicense, aborda uma questão que infelizmente anda em alta no Brasil: o preconceito com os Nordestinos. A faixa conta com as participações especial de Emílio Sagaz e DJ Juarez (ex-Clã Nordestino).  
Para quem gosta de: P.O.D, Limp Bizkit, Kamau, Rage Against   



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A Cena Independente é um projeto nosso, mas também pode ser seu. Se gostou do que ouviu por aqui, espalhe a coletânea interwebs e ajude a cena a crescer. Se tem você tem blog, pode ficar à vontade para escrever uma nota sobre ela.

Caso seu site seja especializado em música e tenha tem contato com a produção dos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe ou Tocantins, quem sabe você não passa a integrar o projeto e nos ajudar a mapear a nova música alternativa do Brasil? Basta entrar em contato pelo mixtape.cenaindependente@gmail.com

11 maio 2012


Ilustração de Thaís Herrera. Cartaz de Daniel Herrera.


SOBRE PEQUENAS VITÓRIAS

O FUGA nasceu em Natal/RN no dia 8 de abril de 2011, incorporando material do nosso antigo blog – o ENM (fev 2008 - dez 2010). Naquela época, o blog era único dessas bandas que, além de disponibilizar álbuns para download, comentava o conteúdo dos discos. A princípio tudo era muito focado na produção gringa, mas, até por perceber o bom momento da produção potiguar e da produção nacional, passamos também a dar espaço ao que era feito por aqui. Naquela época isso era até complicado, porque, muitas vezes, o artista parecia achar que uma página no Myspace era tudo o que precisava para mostrar seu trabalho e, como num passe de mágica, estourar na semana seguinte. A falta de cooperação era grande. A maioria desses artistas eram potiguares, o que – até pelo apoio dos artistas de fora e pelo número predominante de leitores do sudeste – acabou nos dando aquela sensação chata de que santo de casa não fazia milagre, não tinha jeito.

Aos poucos o contexto foi mudando. Nosso envolvimento com a cena, também. Passamos do “música boa se escuta em casa” para “música boa se escuta lá na Ribeira, em Lagoa Nova, em Candelária, em Ponta Negra...”. Descobrimos até um público que julgávamos nem existir por aqui. Aliás, uma coisa massa de falar sobre música alternativa e independente nacional e local quando se mora em uma cidade pequena – e de produção, se não prolífica, pelo menos contínua e constante – é que você acaba conhecendo muita gente. Uma hora assimilam aquilo que você está fazendo e passam a reconhecer algum valor naquilo. Chega um estágio em que você não só procura, mas também é procurado. Justamente por isso e por nosso desejo constante em melhorar o que fazemos, na falta de fôlego do ENM, pela saida de colaboradores e a falta de tempo dos que sobraram, criamos o FUGA – pela primeira vez com pessoas da área de comunicação social. A ideia era intensificar as coberturas e passar a trabalhar também com audiovisual. Fizemos menos do que gostaríamos e publicamos menos do que produzimos, mas pode ter certeza que temos muito orgulho disso aqui.


A CAMISETERIA

Se há uma verdade universal está na complicação que é mexer com audiovisual: depende de você, depende daquilo que você não tem e então depende, principalmente, do ambiente. Algumas vezes, dá-se um jeito; noutras, qualquer coisa que faça vai dar em trabalho perdido. Frequentemente pensamos muito mais alto do que o equipamento e a técnica permitem, mas não desistimos. 

É justamente na busca por tentar melhorar nosso equipamento – e, consequentemente, os nossos vídeos – que resolvemos abrir uma camiseteria no FUGA aproveitando a lacuna de uma loja de camisetas de bandas alternativas e cultura pop a um preço acessível. Ela estará no ar muito em breve, vocês poderão ter alguma noção dela durante a festa de aniversário no Jazzy no próximo sábado.


SOBRE A FESTA

Para comemorar as pequenas alegrias que este blog nos deu, seja no último ano ou nos últimos quatro, parecia um ótimo momento fazer o primeiro evento do FUGA – sacar como é estar do outro lado, na produção. Até por nossa inexperiência – e poucos recursos – alugar uma casa como o DoSol estava fora de cogitação. Um bar viria mais a calhar. Como assíduos frequentadores do Jazzy, fomos direto nele.

Detalhes acertados, convidamos três bandas potiguares que gostamos bastante: Os Bonnies, Jubarte Ataca e The Automatics. No caso do Automatics foi até um convite descrente. É uma das bandas mais antigas da cidade, já tem 10 anos de estrada, mas costuma tocar muito pouco. Ficamos muito, muito felizes quando aceitaram nosso convite. Para completar, a discotecagem ficaria por conta da @UFRNDepressao. Seria uma festa linda! :~


Muita gente que eu não sabia nem que ainda estava viva e gente que nunca vi vieram falar comigo empolgados sobre a festa. :~~~~


Pena que havia uma prefeitura no meio do caminho.


A TRETA DA SEMURB

Nós costumamos brincar que escolhemos um nome muito apropriado quando lembramos de toda a  perseguição do sistema ao FUGA ao longo do último ano. Já tivemos problemas do Mediafire ao Youtube, mesmo trabalhando de forma legal. Para nossa coleção, só faltava mesmo uma treta no mundo offline. 

Veio em boa hora, acompanhe:

Para surpresa da maioria, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo [SEMURB] tirou a poeira da legislação e começou a multar bares da cidade, proibindo música ao vivo naqueles que não tem isolamento acústico. Infelizmente, resolveram impor a lei da pior forma possível. Ao invés de conceder um período de adequação e só então passar a advertir os estabelecimentos, já chegam com um batalhão da polícia, multando os bares e apreendendo instrumentos dos músicos. É certo que todos precisam cumprir a lei, e compreender o incômodo que um bar sem isolamento acústico causa à vizinhança, mas abuso de poder e falta de sensibilidade são outra história.

Os problemas da SEMURB talvez não parem nem por aí. Há quem diga que os fiscais não estão medindo os decibéis do barulho dos bares e que muitos deles não são nem fiscais de fato, o que precisa ser investigado. Além disso, há bar que alegue que há mais de 7 meses tenta conseguir a licença ambiental, mas param na burocracia – parece que até perda de processo administrativo já aconteceu.

Naturalmente, os bares da cidade – mesmo aqueles que nunca foram notificados, como no caso do Jazzy – agora estão com medo da multa e da abordagem truculenta dos fiscais.

Quem perde nessa história somos nós, que não vamos poder mais fazer a festa que gostaríamos, vocês, que não verão mais shows em bares tão cedo, e os músicos, que estão deixando de ter lugares pra tocar na cidade.

Por causa disso, tem um grupo organizando um evento musical de 24h em protesto e já tem até uma audiência marcada para o dia 29 na Câmara Municipal de Natal para discutir os abusos da SEMURB.


A FESTA DE 1 ANO DO FUGA NO JAZZY

A festa do FUGA continua de pé. Infelizmente, a parte os shows prometidos. Quem quiser curtir a discotecagem indierocker do @UFRNDepressao, é só chegar amanhã no Jazzy a partir das 21h.

Quem curtir a página do FUGA no Facebook, leva um lactobacilos bêbados na faixa.

A entrada agora custa R$3, e o bar abre às 19h.

07 maio 2012


Escutar e gostar das músicas de Marilyn Manson foi e sempre será um guilty pleasure. É como se a cada audição nossos olhos fossem cobertos da mais densa maquiagem e o nosso corpo de roupas andróginas e ou esquisitas, replicando o visual construído por Marilyn. No seu oitavo disco Manson procura vestir a fantasia de si próprio, uma volta ao som que o consagrou, presente em sua força total nos álbuns Portrait of an American Family de 1994 e Mechanical Animals de 1998. Born Villain é o primeiro álbum lançado pelo selo de Manson o HELL, ETC em parceria com a gravadora independente Cooking Vinyl.

 O disco inicia com Hey Cruel World faixa com batidas eletrônicas e instrumentais repetitivos, essa é sem dúvida uma música dispensável no contexto do disco, em seguida vem a ótima No Reflection agora com uma presença maior das guitarras. Sugiro aos degustadores auditivos que pulem Pistol Whiped e vá para Overneath the Path of Misery, faixa que tem a mesma batida que Cake and Sodomy do Portrait of an American Family só que em ritmo mais acelerado e raivoso. Slo-Mo-Tion é uma quinta faixa de encher os ouvidos, aqui Marilyn sai da zona de conforto e acrescenta alguns elementos de glam rock, que deixa a faixa com um tom menos sombrio do que o natural. 


Gardener e Flowers of Evil têm certamente influências de As Flores do Mal de Charles Baudelaire, não é novidade que ele escolha alguns “temas” relacionados a livros e filmes como base para seus discos, que o diga o Eat Me Drink Me de 2007 cheio de referências a Alice no país das Maravilhas e Lolita. A Flowers of Evil sendo um tanto quanto melhor do que a chatinha Gardener. Outros destaques são a nervosa Murderers are Getting Prettier Everyday, a faixa-título Born Villain que nada mais é do que uma combinação entre ritmo sexy e letra com mesclas de citações de Shakespeare, e You’re so Vain versão de uma música brega de Carly Simon (clique aqui para ver a breguice) que se transformou em algo mais do que audível. Inclusive quem toca guitarra e bateria neste cover é o ator Johnny Depp. O Born Villain é um bom disco, enérgico como há muito tempo não se via nos trabalhos anteriores, e um ótimo retorno as origens.


Marilyn Manson - Born Villain
Lançamento: Maio de 2012
Origem: Flórida / EUA
Estilo: Industrial/metal
Pra quem gosta de: Alice Cooper, Nine Inch Nails, Rammstein

06 maio 2012


Toda banda chega num ponto da carreira em que é mais fácil ir na pegada do bambolê a agradar os fãs com seus discos. É a linha tênue entre "a banda fez um álbum irreconhecível" do "a banda não inovou". Mas, às vezes, a banda só quer passar cantando coisas de amor.

O Gossip é assim. Desde 1999, Beth Ditto e sua trupe compõem músicas para se divertir, se o fã gostar é consequência. O diferencial de um disco como Movement (2003) para Music For Men (2009) é simplesmente a produção. Convenhamos, para uma banda de garagem é uma tarefa árdua (e cara) fazer as músicas dançantes como Love Long Distance. Então é pedir muito que o Gossip mantenha suas raízes em guitarra e bateria, ainda mais tendo como produtor o Brian Higgins - vide Pet Shop Boys, Girls Aloud e Kylie Minogue.



A Joyful Noise (2012) caminha justamente entre os gritos de Standing in the Way of Control e a batida oitentista de Pop Goes the World. Enquanto Get A Job e Involved abusam dos refrões repetitivos e melodias eletrônicas produzidas para dançar, Casualties Of War é uma balada. Sim, uma daquelas músicas melosas sobre fim de relacionamento que poderiam ser entoadas por Hall & Oates (que a gente até desabilita o last.fm pra não constranger).

Meu pódio de melhor música vai para Perfect World, sem dúvida, um arranjo seguro, sem alterar muito, mas um refrão que é impossível não esbravejar junto. Seguida de Love In A Foreign Place, porque ainda considero a eletrônica incomum pro Gossip, e esta é divertida e bem mais equilibrada que Move In The Right Direction, por exemplo.

Talvez A Joyful Noise (2012) não entre em listas de melhores álbuns do ano, mas é certeza que leva um troféu de pior arte de disco dos últimos tempos (só perde para toda a discografia do Scorpions).

A Joyful Noise, The Gossip
Lançamento: 22 de maio de 2012
Origem: Washington, Estados Unidos
Estilo: indie rock, dance-punk
Selo: Columbia
Para quem gosta de: Le Tigre, Cansei de Ser Sexy, Yeah Yeah Yeahs

04 maio 2012

Graham Coxon, o para sempre ex-guitarrista do Blur, está de álbum novo, talvez ele tenha caído no esquecimento depois do The Spinning Top, álbum de 2009, que nem é tão ruim assim e não foi tão bem recebido, só porque não é nenhum Love travels at Illegal Speeds ou Happiness in Magazine



A verdade é que Graham Coxon, o garoto que ficava no canto do palco durante os shows, com camisa listrada e cara de depressivo, sempre foi a alma do Blur, ele que levava a banda pra texturas mais experimentalistas, apesar da banda fazer um britpop bem "cru". 

Deixando o passado de lado, falemos do A+E, o álbum foi lançado no começo do de abril, e que nos remete aos velhos tempos do The Golden D (eu comecei o parágrafo dizendo pra deixar o passado de lado...), anyway! É cheio de diferentes nuances. Se você é do tipo que julga um CD pela capa eu não estou muito certo se você vai querer o A+E. [Capa no final do post]

Advice é a primeira faixa e tem cara de começo de CD, se eu fosse eleger uma música como hit desse CD, provavelmente seria essa ou What'll it take, ter cara de começo de CD não quer dizer grandes coisas, é uma música de letra fácil e grudenta (e com o tempo vai se tornar chata), e lembra um pouco os tempos do The Great Escape, eu falando de referências passadas novamente...

O Coxon até vagueia por caminhos até então nunca trilhados por ele: música eletrônica. A faixa What'll it take, que já tem até clipe é o exemplo perfeito disso, depois de repetir diversas vezes "What'll it take to make you people dance?" ele mostra que também tem culhões pra brincar de DJ. Se Advice é uma música de letra fácil e grudenta, o que dizer de What'll it take?


Em meio a guitarras distorcidas e sujas, existem faixas - que na minha vil opinião - passam despercebidas: City Hall e Knife in the cast. E existem faixas que merecem total atenção: The Truth, Seven Naked Valleys e Running for your life.

E essa é The Truth, minha faixa favorita até agora.


A+E de forma alguma entrará no top10 de álbuns de 2012, mas vale a pena escutar os novos experimentos do Graham Coxon, e a nostalgia das faixas que parecem o Blur.


A+E, Graham Coxon
Lançamento: 2 de abril de 2012
Origem: Inglaterra
Estilo: indie rock/britpop
Selo: Parlophone
Para quem gosta de: Elastica / The Good, The Bad & The Queen



 
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